terça-feira, julho 21, 2009

Momento de Poesia...com Paula Raposo


Tu És

Tu és o poeta
Que me beija os silêncios
E adivinha
As minhas palavras
E se as não escrevo
Tu as memorizas
Nos teus poemas,
És tu o poeta
Que enlaça os meus desejos
E perscruta
O meu pensamento,
Mil vezes delirante
Mil tantas outras vezes
Colorido de façanhas,
Tu és o meu poeta
Das cores e dos sons
E te entrelaças
No rio que corre em mim
E é na tua foz que
Desagua o poema
Que a mim dedicas!

Paula Raposo In “Nevou este Verão”
Foto: fotowho.net___imaginationamigos

sexta-feira, julho 17, 2009

Voltei ao baú!!!

Desta vez tirei de lá um trabalho muito mais simples e menos vistoso. Não tem a sumptuosidade das toalhas já publicadas. É um jogo de quarto em croché(linha fina).

Apesar de simples, acho-o delicado!
Claro!...sou suspeita!







quarta-feira, julho 15, 2009

Momento de Poesia


Solidão

Entre a tristeza
e a saudade

um vago pátio interior
onde flutua

mansamente nos olhos
e ao fluir dos lábios

a solidão dos dias
sem ternura

Maria Teresa Horta (1977)

Imagem:internet

terça-feira, julho 14, 2009

O Norte,por Miguel Esteves Cardoso


"Primeiro, as verdades.


O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.

Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.

Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos. O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte". Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.

Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.

Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

Miguel Esteves Cardoso, revista K, 1990

Imagem:internet

segunda-feira, julho 13, 2009

Frida Kahlo,pintora mexicana, faleceu a 13 de julho de 1954




A sua obra foi classificada de “surrealista”, mas a pintora declarou:


“Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade.”


Em 2002 é lançado o filme que narra a sua história.

Em 2008, a banda inglesa 'Coldplay' lançou um CD intitulado "Viva La Vida” inspirado no quadro da artista Frida Kahlo, também chamado de Viva La Vida.


Para informação mais detalhada sobre a vida e obra da pintora leiam aqui.


Apreciem a sua obra.




sábado, julho 11, 2009

Há Festa na “Aldeia”




Hoje aqui é feriado!

Dia de S.Bento , Padroeiro de Santo Tirso.


Um pouco da história da fundação de Santo Tirso:







A história de Santo Tirso começa com a fundação, em 978, do Mosteiro, por obra de uma mulher Unisco Godinhes.
A povoação seria dada como couto a Soeiro Mendes da Maia com o “Bom”, irmão do “Lidador”, Gonçalo, ambos da íntima confiança do Conde D.Henrique.
Soeiro Mendes deixou o couto em testamento ao mosteiro.
No séc. XII, o mosteiro que se chamava de Moreira de Riba de Ave passa a denominar-se Mosteiro de Santo Tirso de Riba de Ave.
Divirtam-se!








































quinta-feira, julho 09, 2009

Morreu a 9 de Julho de 1980

Vinicius de Moraes foi diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.


Para informação mais detalhada sobre a vida e obra do poeta leiam aqui.


Destaco dois poemas que gosto.
Um deles,”A Rosa de Hiroshima”, cantado por Ney Matogrosso.



Eu não existo sem você



Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Vinícius de Moraes




A rosa de Hiroxima



Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinícius de Moraes

quarta-feira, julho 08, 2009

terça-feira, julho 07, 2009

A verdade pode ser definida?




Haverá algo mais verdadeiro do que vencer a força com a razão?
(Mahatma Gandhi)

Haverá algo mais verdadeiro do que reinventar a qualidade?
(Albert Einstein)

Haverá algo mais verdadeiro do que cantar sem música?
(Luís de Camões)

Haverá algo mais verdadeiro do que ser pessoa entre a multidão?
(Fernando Pessoa)

Imagem:S.B.D./Br

segunda-feira, julho 06, 2009

Cantiga




Foste o meu primeiro amor,
embora com pouca idade.
Dos teus beijos, que sabor?
Não sei. É pura verdade.



Nas manhas do coração
era ainda principiante,
falava só de paixão.
Embora com outro amante,
juravas-me puro amor,
eterna fidelidade.
Como seria o calor
dos teus beijos, na verdade?


(cantiga de mote com quatro versos e glosa, de oito, reproduzindo-se na volta exactamente o esquema do mote: A B A B a b a b c d c d )


Ajuda ( a esta cantiga)

Não te envergonhes, amigo,
de seres atraiçoado.
Ela já teve o castigo:
foi-se embora o namorado.
Outros lábios ao redor
de ti, com ansiedade
darão cura à tua dor.
Serás feliz , na verdade.

Esclarecimento: a ajuda prevê a intervenção de outro poeta, vindo em socorro do ofendido e trazendo-lhe notícias da mulher que o repudiou. A composição deve ser do mesmo género do da poesia comentada e na mesma medida.


Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra
Imagem:internet

sábado, julho 04, 2009

O Benfica é o Benfica ( Miguel Esteves Cardoso)



" É por não gostar de futebol que sou do Benfica. Tal como compreendo como é que há portugueses que conseguem ser de outros clubes.O Sporting, o Porto podem jogar bem e o Belenenses e a Académica podem calhar bem em sociedade, mas só o Benfica, como o próprio nome indica, é o próprio Bem. Que fica.

Só o Benfica pode jogar mal sem que daí lhe advenha algum mal. Basta olhar para os jogadores para ver que sabem que são os maiores, que não precisam de esforçar-se muito, porque são intrínseca e moralmente a maior equipa do mundo inteiro.

Porquê? Ninguém sabe. Mas sente-se. Quando perdem, não se indignam, não desesperam.

Eusébio só chorou quando jogou por Portugal. Quem joga no Benfica tem o privilégio e o condão de estar sempre a sorrir.

Não conseguem resistir.


O Benfica, a bom ver, nem sequer é uma equipa de futebol. É um nome.

É, como dizem os brasileiros, uma "griffe". Têm uma cor. Antes de entrar em campo, já têm um mito em jogo, já estão a ganhar por 3-0, graças só à reputação.
Quando o Benfica perde, parece sempre que quis perder. Essa é a força inigualável do Sport Lisboa e Benfica - faz sempre o que lhe apetece.

O problema é que lhe apetece frequentemente perder.

Qual é o segredo do Benfica? São os benfiquistas. São do Benfica como são filhos de quem são.
Ninguém "escolhe" o Benfica, como ninguém escolhe a Mãe ou o Pai.


Em geral, aliás, os benfiquistas odeiam o Benfica e lamentam-no no estádio e em casa, mas pertencem-lhe.

Quanto mais pertencemos a uma entidade superior, seja a Família, a Pátria, Deus - ou o Benfica - , mais direito temos de criticá-la e blasfesmá-la.

Não há alternativa.

Em contrapartida, os sportinguistas e portistas parecem genuinamente convencidos de que apoiam as equipas deles porque são as mais dignas ou as melhores.

Desgraçados!
Se fossem coerentes, seriam todos adeptos do REAL MADRID, AC MILAN, etc, etc.


No Benfica, não se exige qualquer lealdade. Só se pede, em relação aos adeptos de outros clubes, caridade e comiseração.

O Sporting, por exemplo, tem a mania e a pretensão de ser "rival" do Benfica, um pouco como o PSN se julga crítico parlamentar do PSD.

Mas, se se tirasse o Benfica ao Sporting, o Sporting deixaria de existir.

O Benfica é um grande clube porque tem história e talento suficientes para não dar importância aos resultados. Tem uma tradição de "nonchalance" e de pura indiferença que não tem igual nos grandes clubes europeus.

O Benfica não joga - digna-se jogar. Não joga para vencer - vence por jogar.

Odeio futebol.

Mas amo o Benfica.

As opiniões de quem gosta de futebol são suspeitas.

Claro que os sábios são do Benfica. Mas a força deste grande clube está nos milhões que são benfiquistas apesar do Benfica, apesar do futebol, e apesar deles próprios.

Em contrapartida, aposto que a totalidade de pessoas que são do Sporting ou do Porto, por infortúnio pessoal ou deficiência psicológica, são sócios.

A força do Benfica, meus amigos, está em quem não paga as quotas, que não vai a jogos, quem não sabe o nome dos avançados - isto é, no resto do mundo. O Benfica, é o Benfica.

E o que tem de ser - e é - tem muita força."



(Miguel Esteves Cardoso)

sexta-feira, julho 03, 2009

Sabedoria Popular

Alguns


de Julho

Em Julho reina o gorgulho.


Julho, o verde e o maduro.


Não há melhor amigo que Julho com o seu trigo.

Em Julho ceifo o trigo e o debulho; e em o vento soprando o vou limpando.


Julho quente, seco e ventoso trabalha sem repouso.


Por todo o mês de Julho o celeiro atulho.


Quem trabalho em Julho para si trabalha.


Em Julho abafadiço fica a abelha no cortiço.



Água de Julho, no rio não faz barulho


Deus ajudando vai em Julho mereando.


Nevoeiro de S. Pedro, põe em Julho o vinho a medo.


Quem em Julho ara e fia, Ouro cria.



Dezembro com Julho ao desafio traz Janeiro frio.



Luar de Janeiro, sol de Julho.



Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.


Quando Julho está a começar, as cegonhas começam a voar.

quinta-feira, julho 02, 2009

Sophia de Mello Breyner Andresen morreu a 2 de Julho de 2004.

Foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.

Para informação mais detalhada sobre a sua vida e obra leiam aqui.



Inseri um pequeno poema de que gosto.



Ausência


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


Foto: Wikipédia

quarta-feira, julho 01, 2009

Origem do nome do mês de Julho


A denominação deste mês tem origem num decreto publicado por Marco António que, deste modo, homenageava Júlio César.

Os romanos representavam este mês através da figura de um homem nu, com cabelos ruivos cheios de espigas.

No braço transportava um cesto com amoras.

No dia 28 vinho e mel eram oferecidos a Ceres.

Com o objectivo de interceder por um clima ameno, sem temperaturas muito elevadas, eram sacrificados alguns cães ruivos a Canícula.

Imagem:improviso on line
Pesquisa:improviso on line

terça-feira, junho 30, 2009

Recordações do meu percurso escolar “festivo”, em Macau (colégio Santa Rosa de Lima).

1954 (pré-primária)
1954(pré-primária)


1954 (pré-primária)


1954 (pré-primária)




1955(1-ª classe)





1955 (1-ª classe)




1955 (1-ª classe)



1956 (1-ª classe)

segunda-feira, junho 29, 2009

É dia de S. Pedro (o último dos Santos Populares)

São Pedro é considerado o mais sério dos três santos Juninos. Dizem que Santo António é o santo casamenteiro, mas é no dia de São Pedro que se escolhe o melhor pretendente.
O dia 29 marca o fim das Festas Juninas ,conhecidas por “Santos Populares.”

.
Um pouco da vida de São Pedro


Discípulo de Jesus
Primeiro Papa
Guarda das Portas do Céu
Padroeiro do Tempo
Protector dos Pescadores





Algumas quadras a São Pedro


A S. Pedro vou pedir
que do céu se possa ver
um arco-íris brotar
e o amor enfim vencer


Vem São Pedro abençoar,
A todos estes cantares,
E vamos nós acabar,
Estas festas populares.




A São Pedro tenho de dizer
que às vezes não vale a pena regar
corações que não tencionam crescer.
Ensina-os antes a pescar!




Se São Pedro me ajudar,
Solteirinha é que eu não fico!
Pois por certo hei-de arranjar
Quem regue o meu manjerico



No altar de S.Pedro,
Nascem cravos encarnados;
Nos santos do mês de Junho.
Protegem-se os namorados.




Pedro por ser velhinho
Deve ter muito juízo
Por isso Deus lhe entregou
As chaves do Paraíso.




Pesquisa :internet
Imagem:Internet

sábado, junho 27, 2009

Momento de Poesia


Alguma Tristeza


E depois chegaste tu
muito tempo após a longa espera
o maior desespero as marés a mudarem
tantas vezes que nem sei
posso ainda escolher dizer-te
amo-te muito tanto ou tão pouco
que quero-te morder até às mãos
as duas até ficarem vermelhas roxas
como pétalas de hortenses mudando a cor
é tão lenta a passagem dos dias
quando o sol se põe atrás do coração.

Sabes já não tenho doze anos
a incerteza da primeira paixão
o nervoso de espreitar outro sorriso
se por acaso se encontrava com o meu
e o medo o medo nocturno
terrível o silêncio a amargura de não saber
que era feito de mim onde procurar
o braço que aquece e diz envolendo
sossega amor sossega
olha é só a vida a passar tão rápido
que tudo é mesmo pouco
para a tornarmos demasiado séria.

(Pedro Strecht)

Imagem:internet

quinta-feira, junho 25, 2009

Hoje, é especial!


Fascinação

Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar
Tonto de emoção
Com sofreguidão
Mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor

quarta-feira, junho 24, 2009

Continuam os Santos Populares…Chegou o S.João!



Uma das tradições do S. João do Porto é a construção de cascatas sanjoaninas.

Segundo o Historiador Hélder Pacheco, as primeiras cascatas no Porto aparecem no século XIX.

Acredita-se que tenham origem nos presépios, que surgiram em Portugal nos finais do século XVIII”. “Antigamente”, explica o historiador, “pegava-se num presépio, substituía-se a sagrada família e os reis magos pelos santos populares e tínhamos uma cascata”.

A figura central da cascata é S. João Baptista e o elemento mais visível, a água.

O Porto em si é uma cascata!

Hélder Pacheco (historiador)



Deixo aqui algumas quadras a S. João


Eu sou a fonte vadia
Dum S. João vagabundo
Que mata a sede à folia
Da maior noite do mundo

Meu balão não é d'espanto!
Não tem vinda, só tem ida,
Leva risos, leva pranto…
Tudo faz parte da vida.

Com tua mão presa à minha
Fui à fonte e não bebi,
estranha sede que tinha
Era só sede de ti!

Ninguém conhece ninguém.
Rusgas, ervas, festas a rodos.
Quando a madrugada vem
Já todos conhecem todos!

Tirou na roda a chinela
P'ra bailar de pé no chão,
Que o fogo que ardia nela
Já lhe queimava o tacão!

Não mandes beijos, amor,
Beijar é face com face.
A água tem mais sabor
Junto da fonte onde nasce.

Por eu ser pobre e tu rico,
Não julgues que o mundo é teu:
Se tu tens o manjerico,
Quem tem o vaso sou eu.

Ninguém se sente sozinho
Na noite de S. João:
O de mais longe é vizinho,
O de mais perto é irmão.

Eu saltei sempre a fogueira
Sem temer ficar queimada
Que a vida passa ligeira
E sem chama é mal passada

És uma fonte de vida
Onde eu sempre quis beber;
Andava a água perdida
E eu de sede a morrer

Deixaste-me só na rua,
Hoje amor, por brincadeira,
E lenha que não foi tua,
Fez-me arder a noite inteira.

As cascatas que fizemos
Em cada nesga de rua
Vão do chão onde vivemos
Até ao balão da Lua.

Fonte : JN

Imagem:internet

segunda-feira, junho 22, 2009

Vilancete




Toda a Natureza louva
o único Deus Criador,
o nosso Pai Redentor.


Sol e Lua orientando,
frio e calor temperando,
fé e oração desfazendo
a nossa descrença em Vós
e ora não estamos sós.
Sois, enfim, do Orbe o Senhor,
o nosso Pai Redentor
.



Estrutura: Vilancete, em redondilha maior, segundo o esquema A B B c c d e e b b, com mote (ou moto) de três versos e glosa (ou volta) de uma copla; a glosa é formada de uma cabeça de estrofe, constituída por uma quadra e uma cauda de três versos.


(outro) Vilancete


Como pudestes mentir
a quem verdade falou?
Agora nem sei quem sou!


O pensamento voava
e sempre mui diligente
ia e vinha à minha mente,
tão ocupado ele andava
que o mal não adivinhava.
A dor quase me matou
e até duvido quem sou.

O coração bendizia
tamanha felicidade.
Se eu soubesse a verdade,
novo rumo lhe daria,
outra vida buscaria.
Agora tudo acabou
e ignoro mesmo onde estou.

É triste ser enganado,
de repente descobrir
que ela estava p’ra fugir.
É preciso ter cuidado
com juras do ente amado.
A mim juízo roubou
e p’ro hospital ora vou.



Estrutura: vilancete, em redondilha maior, constituído por mote e três voltas, no final das quais se repete o verso final do mote, mas com variante, mantendo, porém, o mesmo sentido, em todas as voltas; o esquema estrutural é o seguinte:A B B a b b a a c c .



Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra

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