• É Carnaval, ninguém leva a mal.
• Não há Entrudo sem lua nova nem Páscoa sem lua cheia.
• Quer no começo quer no fundo, em Fevereiro vem o Entrudo.
• Entrudo borralheiro, Natal em casa, Páscoa na praça.
• Namoro de Carnaval, não chega ao Natal.
• Carnaval na eira, Páscoa à lareira
Imagem:internet
terça-feira, fevereiro 16, 2010
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Dossier de Recordações
Não aprecio a época de Carnaval.
No entanto, assinalo-a com umas fotos de um desfile dos meus alunos do 2-º ano (1996)
Fotos minhas
domingo, fevereiro 14, 2010
sábado, fevereiro 13, 2010
Hoje é especial!
Love is real, real is love,
Love is feeling, feeling love,
Love is wanting to be loved.
Love is touch, touch is love,
Love is reaching, reaching love,
Love is asking to be loved.
Love is you,
You and me,
Love is knowing,
We can be.
Love is free, free is love,
Love is living, living love,
Love is needing to be loved
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Um recordar
Não é o meu banco, mas sinto-o como meu. Imaginamo-nos (eu e eu) sentadas nele.
Divaguei!...
Foto: Zé Fardilha
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Dicionário de Sentimentos

Saudade – é quando o momento tenta fugir da recordação para aparecer de novo e não consegue.
Recordação – é quando, sem autorização, o teu pensamento torna a mostrar um episódio.
Angústia – é um nó muito bem apertado no meio da tranquilidade.
Preocupação – é como uma cola que não deixa sair do teu pensamento aquilo que nem sequer aconteceu.
Indecisão – é quando tu sabes muito bem o que queres, mas parece-te que deverias optar por outra coisa.
Segurança – é quando a ideia se cansa de procurar e pára.
Pressentimento – é quando passa pela tua mente o “trailer” de um filme que pode nem acontecer.
Intuição – é quando o teu coração dá um salto no futuro e regressa imediatamente.
Vergonha – é um pano preto que tu queres que te cubra naquela hora.
Ansiedade – é quando os minutos parecem intermináveis para conseguires o que queres.
Interesse – é um sinal de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento – é a língua que o coração usa quando necessita de mandar alguma mensagem.
Raiva – é quando o leão que vive em si mostra os seus dentes.
Tristeza – é uma mão gigante que aperta o coração.
Felicidade – é um momento que não tem pressa nenhuma.
Amizade – é compartilhar a vida com aqueles que amas, por mais diferentes que eles sejam.
Culpa – é quando estás convencido de que podias ter feito algo diferente, mas que nem sequer tentaste.
Lucidez – é um acesso de loucura ao contrário.
Razão – é quando o cuidado aproveita o sono da emoção e assume o comando.
Vontade – é um desejo que nos incentiva a fazer novas descobertas.
Paixão – é quando, apesar da palavra “perigo”, o desejo chega e instala-se.
Amor – é quando o resto da tua vida não te é suficiente para a compartilhar com essa pessoa especial.
Autor desconhecido
Imagem:internet
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Um olhar
Em criança, os sotãos, amedrontavam-me. Via-os como um esconderijo de mistérios.
Hoje, olho-os de dois modos: um enorme "baú" de recordações e sonhos ou quando remodelados, um espaço aconchegante onde apetece estar, principalmente em dias frios e chuvosos.
Fotos minhas
domingo, fevereiro 07, 2010
Morreu há 58 anos
Sebastião da Gama foi poeta e professor.
Ficou para a história pela sua dimensão humana, nomeadamente no convívio com os alunos.
Da sua vasta obra poética destaco este .
Madrigal
A minha história é simples
A tua, meu Amor,
É bem mais simples ainda:
"Era uma vez uma flor.
Nasceu à beira de um Poeta..."
Vês como é simples e linda?
(O resto conto depois;
Mas tão a sós, tão de manso,
Que só escutemos os dois.)
Sebastião da Gama, Cabo da Boa Esperança
sábado, fevereiro 06, 2010
Faria hoje 65 anos
Bob Marley foi um cantor, guitarrista e compositor jamaicano.
O mais conhecido músico de reggae.Da sua discografia destaco uma das canções que gosto.
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Um olhar
Em pleno Inverno fui surpreendida por esta maravilha da natureza. Parece que a Primavera se antecipou como que a dizer:
- Estou a chegar!
Alegrem-se!
Foto minha
- Estou a chegar!
Alegrem-se!
Foto minha
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Li e gostei
"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam; mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre."
Cecília Meireles
Foto minha
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Momento de Poesia com Agostinho Fardilha

Fábula ou não; oh! não sei;
e na cand’lária se diz:
vem a chorar, tempo feliz
e a rir, borrasca terei;
romanos se purificavam
e seus erros expiavam;
iam, de seguida, aos templos
rogar aos deuses as bacanais,
orgias de irracionais.
e na cand’lária se diz:
vem a chorar, tempo feliz
e a rir, borrasca terei;
romanos se purificavam
e seus erros expiavam;
iam, de seguida, aos templos
rogar aos deuses as bacanais,
orgias de irracionais.
Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra
sábado, janeiro 30, 2010
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Um olhar
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Excertos de livros que gostei

(…) A razão porque dói tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma delas nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos. (…)
(…) Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.(…)
(…) Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será, mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos, ainda noutra vida.(…)
Excerto do Livro de Nicholas Sparks "Diário da nossa Paixão”
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Faria hoje 83 anos
Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violinista brasileiro.
Seleccionei um dos seus êxitos.
Seleccionei um dos seus êxitos.
sábado, janeiro 23, 2010
Li e gostei

" Existem momentos só nossos. Momentos em que o nosso corpo e mente procuram o bem-estar pleno.
Acarinhar, amar e cuidar são alguns dos elementos para que isso possa acontecer".
Foto:internet
Foto:internet
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Um olhar
É uma companhia viva e acolhedora. Olhando-a vou aonde me leva o sonho e o devaneio. Imagino as chamas fortes nos seus tons vermelho, laranja e amarelo que são fonte de energia e enrosco-me nas mantas seduzida pela luz que dela se desprende, acabando por adormecer.
Foto minha
Lareira de uma amiga
Foto minha
Lareira de uma amiga
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Li e gostei
Foto minha
“ Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso “.
“ O homem vive de razão e sobrevive de sonhos.”
Autor: Miguel Unamuno
“ Vivemos uma vida, sonhamos com outra, mas a verdadeira é a que sonhamos “.
Autor: Jean Guéhenno
terça-feira, janeiro 19, 2010
Um olhar
Fruto de extremos: ou se gosta ou se detesta!
Originário da China, sumarento, com um paladar agridoce, de uma beleza encantadora com um tom laranja avermelhado, saboreio-o à colher, bem madurinho.
Originário da China, sumarento, com um paladar agridoce, de uma beleza encantadora com um tom laranja avermelhado, saboreio-o à colher, bem madurinho.
É uma delícia!
fotos.sertago.net
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Um olhar
No cimo do monte da Assunção sinto-me numa varanda sobre Santo Tirso. Dela avisto uma cidade pequenina, fechada, parada no tempo, caída no vale do Ave, onde resta alguma da sua beleza natural e histórica do "Couto" de outrora.
Fotos minhas
domingo, janeiro 17, 2010
Miguel Torga, um dos mais importantes escritores portugueses do século XX, morreu há 15 anos.
Presto-lhe a minha singela homenagem relembrando este poema que os meus alunos recitavam, no dia da Primavera.
Segredo
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Miguel Torga
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Ilha Terceira /Açores
Uma paisagem de sonho, onde o azul e verde se sucedem em perfeita sintonia.
Fotos : Suzana Fardilha
Vídeo meu
Vídeo meu
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Momento de Poesia
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"
Foto minha
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Voltei ao baú!!!
Desta vez tirei de lá esta toalha de Natal. Usei-a pela primeira vez, neste último Natal. Só a renda em croché (linha fina) foi feita por mim. Não fiei o linho nem a bordei.
Como sempre sou suspeita.
Acho-a Linda!
sábado, janeiro 09, 2010
quinta-feira, janeiro 07, 2010
Trovas
(O drama de Inês de Castro, assassinada em 7 de Janeiro de 1355, em Coimbra)
Estava a formosa Inês
com os filhos a brincar,
no seu amante a pensar.
No dia sete do mês
primeiro começa o drama:
o Príncipe está ausente
p’ros lados do Ocidente.
O séquito real brama…
Ora ao mundo contar vou
que sem culpa alguma estou.
D.Pedro, quando me viu,
ficou alheio de tudo,
d’espanto quedou-se mudo.
O olhar sensual traiu
seu rosto. Sou muito linda
e nem o traje disfarça
este meu “colo de garça”.
Logo uma paixão infinda
trouxe ao Pedro e a mim
inquietação sem fim.
Onde é que está o pecado
se ele é o meu Senhor,
o culpado deste amor?
Nada lhe foi recusado
e ele deu-me três rebentos
que são, oh!, o nosso encanto,
mas do pai vão ser o pranto
ao saber dos meus tormentos.
Imoral? Há boa-fé;
Anti-Estado não é.
Sabias, querido bem,
que a corte estava ali perto
e o caminho logo aberto
p’ra me tornarem refém.
Diz-me: por que te ausentaste?
Por que me deixaste só?
Nem dos filhos terás dó?
Em nada disto pensaste?
Perdoo tal desmazelo
que será teu pesadelo.
Podias ser meu esposo;
assim queria teu Pai.
Lágrimas ora chorais,
que o fado é invejoso
da nossa felicidade.
Dizias que, sendo Infante,
somente era tua amante;
em Rei, mulher de verdade.
O destino foi veloz
e destruiu um de nós.
Meu Deus, abriram o portão:
entram El-Rei, conselheiros
e sanhudos cavaleiros .
Arrastada pelo chão,
sou levada até El- Rei,
que diz ser eu ré de morte.
Pergunto: porquê tal sorte?
Cometi crime? Dizei.
Se querer bem é pecar,
então, o que é odiar?
Tua união com meu filho
pode fazer muito mal
ao reino de Portugal.
Basta de tanto sarilho!
Peço a D. Afonso, o Bravo,
compaixão e não me mate,
sou dos filhos baluarte.
Vosso filho, em desagravo,
porá tudo a ferro e fogo,
se não ouvirdes meu rogo.
Lembra-te, grande monarca,
que estes três são teus netos
e sob todos os aspectos
nasceram com nobre marca.
Serão órfãos, culpa Vossa.
Melhor lição dão as feras:
não são, ó Rei, tão severas.
Vê como a loba na choça
acariciou os dois.
E Vós, o que fazeis, pois?
Aceito ser afastada
p’ra longínquo deserto.
Os filhos comigo , é certo
ficam.Mas estou privada
do amor da minha vida.
As palavras d’Inês n’alma
do Rei produziram calma:
na dureza aí havida.
Os conselheiros acodem
e destroem quanto podem.
Os algozes Inês mataram.
Os filhos sem mãe. Que pena!
Como o touro na arena,
todos a Pedro escaparam.
Mas não tardou a vingança:
chacinou os três carrascos,
guardando as tripas em frascos.
Foi uma horrenda matança!
Dos pobres foi sempre amigo.
A justiça andou consigo.
Fym (Fim)
A “mísera e mesquinha”,
“bonina”talhada cedo,
casou com Pedro em segredo
e já morta foi Rainha.
Pelas quebradas dos montes
ecoou de Inês o nome
e daí o seu renome
que se acrescentou às fontes
d’Amores, onde Cupido
a ambos tinha ferido.
(Trovas, em coplas de dez versos de arte real, com “fym”, segundo esquema semelhante em todas as estrofes (abbacddcee).
Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra
quarta-feira, janeiro 06, 2010
terça-feira, janeiro 05, 2010
Li e gostei
"Os povos antigos ou são tristes, ou são cínicos. A nós, portugueses, coube ser tristes".
Fonte: "Máscaras de Salazar, Fernando Dacosta"
Tema: Portugal
Foto minha
segunda-feira, janeiro 04, 2010
sexta-feira, janeiro 01, 2010
Mudança de visual

Acabado o mês de Dezembro e sendo Inverno, o blog, entristecido, acompanha a estação e cobre-se de cinza, até que a natureza renasça.
Foto:Patty
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Mensagem de Fim de Ano
terça-feira, dezembro 29, 2009
Momento de Poesia

Acreditar
Acredito em todas as crianças
Acredito em alguns adultos
mas desses acredito em todos os que acreditam nas crianças.
Acredito no amor
e em todas as formas de que ele se veste e escreve
escondido num sorriso pendente num ramo de árvore
vestido de pequeno bicho que pára e nos olha do campo.
Acredito na verdade
embora haja muitas verdades
e nunca saibamos bem qual delas é de quem
ou de qual ou até mesmo para que serve.
Acredito na justiça
e no que ela separa de bem e de mal
e naquilo que ela serve para que o bem ajude o mal
porque de verdade nunca ninguém permanece sozinho
abandonado em apenas um dos lados
Acredito na paz
é a arma mais forte que existe
porque com ela tudo
emesmo quando ausente dos gestos diários
escondida mesmo desaparecida e combate
ela há-de voltar pois é coisa absolutamente incontornável
Acredito na alegria
um bom dia de sol
uma música suave e terna
momentos de silêncio os nossos segredos
quando parece que o mundo fica sem mexer à volta
Acredito no abraço
de uma mão quando procura outra
e com ela fica junta terna quente
as festas que mais ninguém sente
quero essa pele qualquer pele
da mais lisa branca à mais escura ou rugosa
Acredito nos olhos
no que sempre dizem
porque os olhos nunca mentem
são sempre verdadeiros
falam de coisas que por vezes a alma não fala
pois não sabe não aprende ou
simplesmente porque não estão ainda inventadas
todas as palavras que dizem o que sentimos
Acredito na vida
ela é como as estações
mesmo depois dos dias de mau tempo
a primavera há-de voltar sempre diferente
por vezes inesperada ora precoce ora tardia
porque por cima das nuvens a luz continua a brilhar
Acredito que nada começa e nada acaba
não há definitivo
pois tudo se recompõe deixa correr
e há nas coisas um sentido que não se explica
se explicasse deixava de fazer sentido
e vida sem mistério não é coisa que se viva
Acredito que nenhum sofrimento é sem destino
e que tudo quanto é mais difícil agora
terá uma qualquer recompensa amanhã
porque acredito que no fim nem que seja mesmo só aí
a vida é como um filme de final feliz
Acredito que muitas vezes deixamos de acreditar
há coisas injustas ou más ou feias demais
para não conseguirmos evitar dizer é mentira
isto não devia estar a acontecer
Acredito que é possível voltar a acreditar
Só não acredito na morte
como um passo sem retorno
é verdade que todos continuam vivos
luz na memória dos outros
enquanto baterem à porta do coração.
Pedro Strecht
Foto: Suzana Fardilha(anazus)
Acredito em todas as crianças
Acredito em alguns adultos
mas desses acredito em todos os que acreditam nas crianças.
Acredito no amor
e em todas as formas de que ele se veste e escreve
escondido num sorriso pendente num ramo de árvore
vestido de pequeno bicho que pára e nos olha do campo.
Acredito na verdade
embora haja muitas verdades
e nunca saibamos bem qual delas é de quem
ou de qual ou até mesmo para que serve.
Acredito na justiça
e no que ela separa de bem e de mal
e naquilo que ela serve para que o bem ajude o mal
porque de verdade nunca ninguém permanece sozinho
abandonado em apenas um dos lados
Acredito na paz
é a arma mais forte que existe
porque com ela tudo
emesmo quando ausente dos gestos diários
escondida mesmo desaparecida e combate
ela há-de voltar pois é coisa absolutamente incontornável
Acredito na alegria
um bom dia de sol
uma música suave e terna
momentos de silêncio os nossos segredos
quando parece que o mundo fica sem mexer à volta
Acredito no abraço
de uma mão quando procura outra
e com ela fica junta terna quente
as festas que mais ninguém sente
quero essa pele qualquer pele
da mais lisa branca à mais escura ou rugosa
Acredito nos olhos
no que sempre dizem
porque os olhos nunca mentem
são sempre verdadeiros
falam de coisas que por vezes a alma não fala
pois não sabe não aprende ou
simplesmente porque não estão ainda inventadas
todas as palavras que dizem o que sentimos
Acredito na vida
ela é como as estações
mesmo depois dos dias de mau tempo
a primavera há-de voltar sempre diferente
por vezes inesperada ora precoce ora tardia
porque por cima das nuvens a luz continua a brilhar
Acredito que nada começa e nada acaba
não há definitivo
pois tudo se recompõe deixa correr
e há nas coisas um sentido que não se explica
se explicasse deixava de fazer sentido
e vida sem mistério não é coisa que se viva
Acredito que nenhum sofrimento é sem destino
e que tudo quanto é mais difícil agora
terá uma qualquer recompensa amanhã
porque acredito que no fim nem que seja mesmo só aí
a vida é como um filme de final feliz
Acredito que muitas vezes deixamos de acreditar
há coisas injustas ou más ou feias demais
para não conseguirmos evitar dizer é mentira
isto não devia estar a acontecer
Acredito que é possível voltar a acreditar
Só não acredito na morte
como um passo sem retorno
é verdade que todos continuam vivos
luz na memória dos outros
enquanto baterem à porta do coração.
Pedro Strecht
Foto: Suzana Fardilha(anazus)
segunda-feira, dezembro 28, 2009
domingo, dezembro 27, 2009
sexta-feira, dezembro 25, 2009
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Parabéns Mamã! Um beijo do tamanho do Mundo!
domingo, dezembro 20, 2009
Auto “um Presente divino”

Com o Auto “Um Presente Divino”, pretendemos imitar, modestamente, Gil Vicente, “único génio verdadeiramente dramático que Portugal teve”; “é o artista e escritor que dá a nota mais pessoal na literatura portuguesa”.
Deus
Mãos à obra: vou criar Céu e terra.
Tudo estará bem feito? Não e não!
Falta a arte que o Meu Amor encerra:
o homem, a quem darei o nome de Adão.
Irá habitar formoso jardim
com cheirosas flores e boa fruta.
Reservarei somente para mim
a árvore, no meio, impoluta.
É a árvore do conhecimento
do bem e do mal. Dela fugirás.
Mas Iavé, estando sempre atento,
queria vê-lo contente e em paz.
Da sua costela fez a mulher.
Olhou, sorriu e mostrou-se feliz.
O nome de Eva, se a ambos aprouver,
será e também do Mundo a raiz.
Tudo estará bem feito? Não e não!
Falta a arte que o Meu Amor encerra:
o homem, a quem darei o nome de Adão.
Irá habitar formoso jardim
com cheirosas flores e boa fruta.
Reservarei somente para mim
a árvore, no meio, impoluta.
É a árvore do conhecimento
do bem e do mal. Dela fugirás.
Mas Iavé, estando sempre atento,
queria vê-lo contente e em paz.
Da sua costela fez a mulher.
Olhou, sorriu e mostrou-se feliz.
O nome de Eva, se a ambos aprouver,
será e também do Mundo a raiz.
Serpente (Satanás), Eva e Adão
Bom dia. Como és formosa!
Queres maçã saborosa?
Aquelas, ali, são especiais.
Dessas não posso comer.
Tretas! ficareis, p’ra sempre, imortais.
Prova e o teu poder
oh! será imenso.
Comeu e ficou nua.
Ouviu-se da serpente a gargalhada.
Dele foi-se o senso
e a vergonha acentua;
tremendo, espera de Deus a chamada.
Deus, Adão, Eva e Serpente
Onde estás, ó Adão?
Estou de roupa vão.
Tenho vergonha de Ti.
Que fizeste, desgraçado?
Aquela maçã comi.
Por Eva fui enganado.
Ela acusa a serpente
de tanta maldade.
A ira de Deus sobre eles caiu:
vida dura presente
na Humanidade;
a serpente de peçonha feriu.
Deus, Pecado Original e a Virgem Maria
O homem a Deus desobedeceu.
Primeiro pecado ele cometeu.
É o pecado original.
Mas Iavé do homem teve dó
e logo esqueceu todo o mal.
E para que não ficasse só,
prometeu enviar o Messias Redentor,
que da “nova Eva”, chamada Maria,
de toda a mancha isenta por Deus,
cooperando o Santo Espírito Criador,
o Deus-Menino um dia nasceria,
cumprindo-se a promessa aos hebreus.
O Anjo S.Gabriel, a Virgem Maria e S.José
Salve, ó Maria, ó cheia de Graça,
diz Anjo à Virgem, judia de raça.
Alegra-Te, o Senhor Contigo está.
Maria, corando, perturbou-se:
nunca tinha ouvido esse dito cá.
Mas o Anjo logo adiantou-se:
não temas, Maria, vais ter um Filho;
O Pai será o Espírito Santo.
Dar-Lhe-ás o nome de Jesus.
Terra e Céu render-se-ão ao Seu brilho.
E tu, José, entoa a Deus um canto,
porque sob a tua guarda O pus.
Em Belém terminou a gravidez.
Maria, algures não teremos vez.
Entremos nesta gruta, diz José.
Vê, há manjedoura com palha.
Jesus nasceu. Sorriu. Os três, com fé,
louvam Deus-Pai, que logo atalha:
Maria e José, a Vós o Senhor
Seu Filho confia, enchei-O de amor.
Maria, algures não teremos vez.
Entremos nesta gruta, diz José.
Vê, há manjedoura com palha.
Jesus nasceu. Sorriu. Os três, com fé,
louvam Deus-Pai, que logo atalha:
Maria e José, a Vós o Senhor
Seu Filho confia, enchei-O de amor.
Perto, nos montes, uns pastores
até da manhã aos alvores
vigiavam seus rebanhos.
Do Céu surge um exército de Anjos,
enchendo os ares de hinos tamanhos
com seus belos e afinados banjos.
Ide, correi depressa a Belém.
Nasceu Jesus para vosso bem.
Correram e encontraram o Deus- Menino.
Adorando, cantaram ao pequenino:
Cantiga paralelística
Com refrão
Com refrão
Refrão
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
porque o Deus-Menino veio morar cá).
I
Deus visitou a Terra. Noite feliz!
O homem pecou, mas Deus é brando Juiz.
(abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus –Menino veio morar cá).
Enviou Seu Filho para nos salvar
e das trevas eternas nos resgastar.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus- Menino veio morar cá).
O homem pecou, mas Deus é brando Juiz.
(abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus –Menino veio morar cá).
Enviou Seu Filho para nos salvar
e das trevas eternas nos resgastar.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus- Menino veio morar cá).
II
O homem pecou, mas Deus é brando Juiz.
Sua Morada vai ser nosso país.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
E das trevas eternas nos resgatar
prometeu. Ora, alegres, vamos cantar.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
Sua Morada vai ser nosso país.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
E das trevas eternas nos resgatar
prometeu. Ora, alegres, vamos cantar.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
III
Sua Morada vai ser nosso país.
Olhai p’r’Ele. Seu Amor sempre nos quis.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
Prometeu e, alegres, vamos cantar:
Deus é bom e nunca soube castigar.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
IV
Olhai p’r’Ele. Seu Amor sempre nos quis.
Veio o Filho e ninguém será infeliz.
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
Deus é bom e nunca soube castigar:
Que Deus é este para só perdoar?
(Abriu-se o Céu e a Corte sorriu lá,
porque o Deus-Menino veio morar cá).
Vilancete
Mote
Cantai, ó Anjos, um hino,
louvai todos o Deus-Menino
Cantai, ó Anjos, um hino,
louvai todos o Deus-Menino
Noite fria em Belém,
era noite de Natal.
Jesus, para nosso bem,
a nós se tornou igual.
E foi cumprida, afinal,
promessa do Pai Divino,
enviando o Deus-Menino.
era noite de Natal.
Jesus, para nosso bem,
a nós se tornou igual.
E foi cumprida, afinal,
promessa do Pai Divino,
enviando o Deus-Menino.
Loas
(à Virgem Maria)
(à Virgem Maria)
Maria, és a Aurora que anunciou
a vinda do Senhor.
És a Lua, que sempre nos guiou
até ao Céu nos pôr.
És o Sol, que de Deus recebe a Luz
e ao Filho nos conduz.
Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra
Foto:internet
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