terça-feira, março 01, 2011

Momento de Poesia com Agostinho Fardilha





Mais uma festa: São José, o Pai
adoptivo da Nova Humanidade;
riu-se,quando ouviu o primeiro “ai”
ç(s)aído da boquinha da Trindade,
o mistério que a todos atrai


Vocabulário

atrair= encantar


Agostinho Alves Fardilha ( o meu pai)
Coimbra

sábado, fevereiro 26, 2011

Um olhar


As gotas da chuva são diferentes das que caem de uma bica, matando a sede a quem passa. São como lágrimas de dor, libertas dos grilhões do sofrimento, soltas em liberdade finalmente consentida...

Foto minha

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

IX Expocamélia Santo Tirso 2011

Nos espaços verdes de Santo Tirso, por esta altura do ano, destacam-se, pelas suas cores, formas e beleza, as inconfundíveis camélias.

Neste tempo de Inverno, em que a maior parte das espécies florais se queda adormecida, eis que as camélias irrompem com todo o seu esplendor cobrindo de um colorido invulgar muitos jardins, parques e quintas deste concelho.

Neste ano, Santo Tirso realiza a 9-ª edição desta maravilhosa festa. Os dias 19 e 20 de Fevereiro têm um significado especial para nós, e para aqueles que acreditam que este evento, para além das múltiplas valências culturais associadas, é,cada vez mais, um espaço de interacção e de troca de experiências, na defesa e promoção de um recurso regional de excepção.

As camélias, com tonalidades e nuances que só o arco-íris contém, que foram musas de Alexandre Dumas e no Brasil do século XIX símbolo da abolíção da escravatura, são hoje, do outro lado do Atlântico, o motivo que nos une nesta grande festa.

Bem Vindos a  Santo Tirso e ao mundo das Camélias

Câmara Municipal





Fotos minhas

domingo, fevereiro 20, 2011

Momento de Poesia com Agostinho Fardilha

António Serrão De Castro (ou Crastro)

(1610 – 1685(?)
“Pertenceu à Academia dos Singulares. A sua poesia é essencialmente satírica, jocosa e burlesca.
O Santo Ofício, sempre de afiados dentes, rangedor, não levava a bem as brejeirices deste cristão – novo. Tanto o perseguiu que acabou por o reduzir à mendicidade e a metê-lo dez anos na cadeia.
A sua obra perdeu-se, restando, apenas, o poema Os Ratos Da Inquisição”.

Inspirando-nos no seu poema, vamos homenageá-lo com
A CASA DA INQUISIÇÃO

            I
Casa de má qualidade,
bem cheia de predadores
e de falsos pregadores.
Ali vive a falsidade,
também a rapacidade.
Os moradores são ratos:
uns, mentirosos beatos;
outros e mais numerosos,
bichinhos mui asquerosos,
fruto dos bárbaros tratos.

            II
Os primeiros, anafados,
de tanto os outros roubar,
de muito os espezinhar.
Os segundos, desgraçados,
constantemente espancados,
de tudo os espoliaram
e a alguns a vida tiraram.
Porém, que crime era o seu?
Ter em si sangue judeu?
Esta Pátria sujaram!

            III
Os “Grandes”, com seus pespontos,
são óptimos alfaiates,
sabem fazer bons remates,
tapar buracos com pontos
depois de roubar os contos
que eu tinha no meu bornal.
Ordenou o “ Principal”
o que os lacaios fizeram.
Minha vida não quiseram,
mas foi primeiro sinal.

            IV
Meu ser é velha farpela:
de dia remendos ponho,
de noite com eles sonho;
de repente uma “cadela”,
escapando-se da trela,
descose o trabalho meu:
rasgado, nem pareço eu.
Mas o que hei-de fazer
para com todos viver
debaixo do mesmo céu?

            V
Arrebatado – e sem norte –
pelas unhas dos ratões,
disse para os meus botões:
vou tentar a minha sorte
p’ra escapar à triste morte,
propondo-lhes que metade
da minha fertilidade
ficaria para eles.
foram mentirosos e reles.
Roubaram tudo à vontade.

            VI
Que bom seria a vingança
p’ra saldar o prejuízo
aos trapos, meu paraíso:
poria em abastança
os ratos de boa pança
numa canastra de gatos
com fome e nada pacatos.
Escondido ficaria
a ouvir a gritaria
dos tratantes clericatos.

            VII
Que fizeram os cristãos – novos
para terem esta sina?
P’ra fradalhada, a latrina;
escárnio de outros povos;
pitéu dos malvados “corvos”!
Meus escritos destruíram
o que os Céus construíram:
minha vida. Na prisão
estive e por galardão
co’a cegueira me feriram.

            VIII
Dez anos há quem espere
viver, fechado, sem luz,
o chão, querido Jesus,
com sujo aido confere?
Quem o viu também refere
haver água p’la cintura,
os dejectos com fartura,
a fome colando as tripas.
Arrancaram as farripas,
mas a mente ainda dura!

                        IX
Deus livrou-me do garrote
e da procissão até
à fogueira. Da ralé
o ruído brejeirote
fere – me como um chicote.
No mundo pouco vivi;
só aos pobres eu pedi.
Quando eu na rua passava,
o povo até me insultava:
Eh! judeu, fora daqui

                        X
Quem me dera que esta boda
p’ra eles tivesse fim
e que o castigo, enfim,
tivesse má sorte toda
através de dura roda.
Porém, os ratões à Morte
tomaram –na por consorte.
Tudo lhes corre à feição.
Usam a religião
p’ra dos roubos o suporte.

Vocabulário
ratos= supliciante e supliciado
grandes= dirigentes do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição)
pespontos= ponto de costura
Principal = dirigente – mor do Tribunal do Santo Ofício
Cadela = oficial da Inquisição
norte = rumo; desnorteado(sem rumo)
ratões = oficiais da Inquisição
fertilidade = riqueza
“Corvos” = apelido pejorativo de clérigo inquisitorial
confere = estar conforme
farripas = cabelo raro
roda = instrumento de suplício

Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra

Foto: internet

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Um olhar


A viçosidade, roupagem e calma do verde, protegendo a nudez do Inverno.

Foto minha

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Um olhar


A gaivota, parecendo calma e pensativa enriquece e ameniza a paisagem corrompida pela frieza do betão.

Foto minha

domingo, fevereiro 13, 2011

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Li e gostei



Tenho cabelos claros, pintados para escurecer os fios brancos.


Não me recordo exactamente em que ano eles começaram a branquear...


Tenho algumas rugas em volta dos olhos, mas também não me recordo quando elas começaram a aparecer.


(...) Das minhas unhas cuido semanalmente, penso que elas são um cartão de visita. Unhas mal tratadas causam uma péssima impressão!


Do corpo, quase não cuido, só recentemente entrei para uma academia por ordem médica.


(...) Enfim, os meus anos passaram e as marcas que eles deixaram , não tenho como conter. Nem pretendo isso!


Acredito que cada marca, que meu corpo carrega, tem uma linda história.


Às vezes na frente do espelho ao descobrir uma nova ruguinha fico pensando o que a causou.


(...) Poderia enumerar também a história de cada fio de cabelo branco. Foram filhos, amores, marido, amigos que os colocaram  ali.


Não me quero desfazer de nenhuma dessas marcas, apenas amenizá-las. Acho que mereço isso. A vida me deve isso.


Actualmente a parte que merece mais a minha atenção, é a cabeça.


Tento todos os dias, colocá-la no lugar, equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias.


(...) Não escondo a minha idade. Passei os sessenta. Parte deles muito sofridos, outros bem vividos.




Mas é exactamente aí que está o encanto da minha idade. Conheci de tudo um pouco, das lágrimas aos sorrisos e ambos me fizeram ser essa pessoa que sou hoje.


Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também os sorrisos em ambos(...).

(Adaptado)




Foto minha

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Um olhar


É Inverno.
O ciclo repete-se.
A copa despida, qual ninho entristecido pela solidão, estende os seus braços como que  a anunciar que, em breve, estará renovada, pronta para albergar novamente os pardalitos que, ao entardecer retornam ao aconchego do lar, alegrando com seus chilreios, quem por ali passa.

Foto minha

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Um olhar


Marcaram uma época.
Adorna a casa da minha irmã mais nova.

Olhando-a, ouço um "slow" dos anos 50 e imagino-me rodopiando num salão.


Foto minha

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Momento de Poesia com Agostinho Fardilha




Festejamos, neste mês, os que a Deus
estão consagrados: sede os mais pios!
vale menos contraditar ateus
e muito mais converter os gentios;
rogai-Lhe p'ra vós os auxílios Seus
e à Virgem Maria que os arredios,
incluindo os que vão dizer adeus,
rezem, pedindo p'ros seus desvarios
o indulto dos Divinos Poderios. 

Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra)

domingo, janeiro 30, 2011

Um olhar



Adornam durante o dia, tornando-se uma companhia, uma protecção, quando a noite cai.
Também nós o temos iluminando a nossa imaginação, os nossos sonhos, a nossa vida.

Foto minha

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Atrasos...




Sempre olhavas o relógio
E as horas marcadas
Para estar em casa


Quando começava
A despir-me
Olhavas-me cobiçoso
E tocavas-me
Onde sabias


As horas ficavam para trás
(Mas nunca te atrasavas
Em casa)


Atrasavas-te só em mim
No reboliço
Em que deixavámos
Metade de nós…


Paula raposo

Foto minha

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Recordando Santa Sofia (Aya Sofya) em Istambul/Turquia

Chama-se Aya Sofya em turco, Santa Sofia em português. A basílica construída no ano 537 d.c. foi a maior e mais sagrada igreja do mundo bizantino. Não foi dedicada a uma qualquer santidade da liturgia cristâ.O seu verdadeiro significado é Divina Sabedoria, uma das formas utilizadas na altura para nomear Cristo, o fruto da sapiência de Deus.
Em 1935 abre as portas como museu, símbolo da união entre Ocidente e Oriente, para que pudesse ser admirada por pessoas de todos os credos.


Aya Sofya

Alguns pormenores do seu interior


Fotos minhas

domingo, janeiro 23, 2011

Um olhar


Outrora paredes recheadas de palavras com vida. Hoje ruínas mudas de sofrimento.

Fotos minhas

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Um olhar


Um muro...um candeeiro...dois guardiões da fragilidade e efemeridade das flores!

Foto minha

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Momento de Poesia com Agostinho Fardilha

D.Francisco Manuel de Melo
(1608 – 1666)
Na estrutura das suas Obras Métricas sofre a influência das “Nueve Musas Castelhanas” de Quevedo, figura brilhante de uma grande época da literatura do país vizinho.
            As segundas três Musas de Melodino constituem a sua constibruição poética em língua portuguesa, já que as primeiras e as terceiras “Três Musas” foram redigidas em Castelhano.
            “D. Francisco Manuel de Melo é, em Portugal, a personificação mais acabada da cultura aristrocática peninsular na época da Restauração.
            No “Canto de Babilónia” inspira-se em “Sôbolos rios…, de Camões”.


Vamos recordá-lo em o
Canto de Portugal (Babilónia ou Sião?)



                        I
Sobre as águas do Douro
chega a deserta colónia,
semelhante a Babilónia,
p’ra expulsar gentio e mouro,
alguém perto da Francónia.

                        II
Após luta se assentou,
fazendo a Deus a promessa:
“que vivo como ora estou,
aumentarei e sem pressa
o Condado que ele herdou”.

                        III
O filho colheu do pai
afadigado quinhão:
foi a primeira Sião
mas, prestes, considerai:
vem Bolonha e a união.

                        IV
Morre um rei e outro vem,
seguindo as leis do passado.
Rei, mas tempo se mantém;
o que se vê alterado
é o desejo, porém.          

                        V
D. Dinis nos alumia,
D. Afonso nos aquenta,
mas Rainha, que alimenta
o povo que lhe pedia,
a paz também acrescenta.

                        VI
Rei D.Pedro foi a lua
que a escuridão apagou:
pequena foi a obra sua,
mas foi ele quem fundou
a Babilónia de  rua.

                        VII
Rei D. Fernando traiu
a confiança do povo.
Quiçá amoroso e novo,
pensar não quis ou não viu
qu’amor parte como um ovo.

                        VIII
A ínclita geração
ditosa e louvada seja,
criada por D.João
ao reino foi benfazeja,
como divinal Sião.          

                        IX
Perante forte nobreza
Afonso V cedeu
e confusão acendeu.
Inseguro, com certeza,
reino no escuro meteu.

                        X
Grande rei, forjaste logo
leis que nobreza moleste.
Contigo e em desafogo
vivemos e até nos deste
a visão do Mundo, em jogo.

                        XI
D.Manuel venturoso
por Oriente esventrar:
abastança vai tirar,
mas se parece mimoso,
ditoso não terá par.

                        XII
A riqueza tem seus ramos
que a peso fazem dobrar:
D.João e os nobres amos
não souberam colocar
às despesas os açamos.

                        XIII
Sebastião, rei insano (?),
guerra incerta originou:
malvados quem o forçou
a tão acto tresloucado
que o país arruinou.

                        XIV
Triste tempo fraudulento
donde todo mal emana:
nós fizemos de jumento,
Espanha, de bom sacana.
Custou, mas foi fermento…

                        XV
A vontade da Nação
encarnou o pensamento
pelo afortunado advento
do mui nobre D.João,
regressando o entendimento.

                        XVI
Ao que escrevi sou fiel:
houve, sem qualquer desdém,
mais confusão de Babel
do que Sião de Belém
ou Jerusalém de Abel.

Vocabulário:
Babilónia =Babel, grande confusão
Sião = Jerusalém  sagrada, paz e progresso
aquentar = animar
mimoso = débil
bom = grande
Abel – irmão de Caim


            Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra

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