sexta-feira, maio 04, 2012

Um olhar


Foto minha


A originalidade também tem a sua beleza e o seu condão.

terça-feira, maio 01, 2012

Momento de poesia com Agostinho Fardilha


(Reis nascidos neste mês)


Moldou reino com Algarve: Afonso III;
a ti, João, cederam: até com Tordesilhas;
i (I)ndia, Manuel, tua; e o autor “Vaqueiro”!
o Brasil, João, foi asilo de armadilhas.

Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra

Imagem : internet

domingo, abril 29, 2012

Um olhar


Foto minha

Se um dia fecharem as portas da vida pule a janela.


Augusto Cury

quinta-feira, abril 26, 2012

Um olhar


Foto minha

Que quadro harmónico e encantador
do pincel de artista merecedor!
As plantas, debruçadas sobre as águas
esverdeadas do sopé das fráguas,
parecem estar deveras sequiosas
e de puro líquido desejosas.

Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra


segunda-feira, abril 23, 2012

Um olhar


Foto minha

Quem é capaz de explicar
o que faz aquele bando
de gaivotas no telhado
pousadas, mas sem grasnar?
Julgo ser a lição, quando
alguém provoca brado
ao povo de uma nação,
sem p'risso contribuir;
castigar, sim, o ladrão
que alimentou esta crise.
Para granjear o pão
p'ro estrangeiro tenho que ir;
do porvir a construção
será feita sem deslize.
Como esta postura das aves
é uma porta com chaves!

Agostinho Alves Fardilha ( o meu pai)
Coimbra

sexta-feira, abril 20, 2012

Recordando...

Um dos pontos de maior interesse em Cuenca (Espanha) é a Catedral, das obras mais originais do gótico espanhol, com influências anglo - normandas.















Fotos minhas

terça-feira, abril 17, 2012

Momento de poesia com Agostinho Fardilha

Manuel Maria Barbosa du Bocage

(1765- 1805)

“A personalidade de Manuel Maria Barbosa du Bocage parece concretizar a fase final e insanável do conflito entre o arcadismo e o romantismo, entre a dependência relativamente às instituições feudais – abolutistas e relativamente ao público editorial, entre o enquadramento absoluto – senhorial e o enquadramento burguês do escritor.

O Elmairo Sadino da Nova Arcádia é já romântico por temperamento, apesar de muito vocabulário e muito alegorismo arcádicos e dos seus laivos de iluminismo.

O que o distinguiu melhor é a matéria psicológica que traz pela primeira vez à poesia portuguesa: o sentimento agudo da personalidade, o horror do aniquilamento da morte. Tal egotismo percebe-se ainda na maneira abstrata e retórica com que se revolta contra a humilhação da dependência e contra o despotismo, em nome da Razão; no gosto do fúnebre e do nocturno, e nos clamores não menos retóricos de ciúme, de blasfésmia ou contrição.”



Recordemo-lo com as composições poéticas, que se seguem.



Sonetos

1 – Há Deus?

A Natureza demonstra que há Deus
o ledo passarinho a gorjear,
o cristalino rio a murmurar,
a meiga Lua ao Sol dizer adeus.


O agreste Inverno com os vapores seus
vai à mãe das flores ceder lugar:
a Primavera quer de si exalar
Formusura p’ra encher de Amor os céus.


Sua Mão protege o chato mosquito;
tolera até a impróvida cigarra;
entre ramos e tronco não há atrito.


Zéfiro a Fortuna e Esperança amarra.

De tudo é autor. Disto estou convicto:
A Fé ou Razão para mim o narra.



2 – Má Ventura

Abominado sejas, ingrato Amor.
São testemunhas o vento e as Graças:

ele, das juras e elas, das desgraças

que encheram meu coração de furor.



Não te basta do Desengano a cor?
A Razão não autoriza as trapaças.

Ela a  tua alegria pôs mordaças;

E por que inda buscas amargo sabor?


O Prazer e Vaidade são jardim
De flores belas, mas pouco duráveis.

Acreditei numa paixão sem- fim.


Morte, Eternidade são desejáveis
para traídos amantes e p’ra mim

que a Deus mendigamos ser perdoáveis.


3 – Perda Irreparável

Foi-se o dia, eis da noite a Escuridão.
Lembro-me dos teus olhos buliçosos,

dos lábios de beijos sequiosos,
dos cabelos que eram minha prisão.



A Candura em ti fizera mansão,
A Virtude suplantou enganoso

cuidados meus, que agora são raivosos

por não habitarem em teu coração.


Haverá inda Esperança de um dia
ver em ti santuário de Amor?

Não. Mais fácil incendiar pedra fria


e aos mirrados cadáveres dar cor.
Troquei-te p’los mares e p’la ventania,

p’lo mal e uma vida cheia de dor.


4 Não temo a Morte

Já não sou aquele que Amores cantava.
Meu estro para sempre se calou.

O deus Morfeu largo tempo esperou
até que ao longe vi quem eu amava.


Gostei da Noite e a Morte vigiava,
protegendo quem sempre a desejou.

Acolhe o pranto do infeliz que sou
e que há muito tempo por ti bradava.



Jamais tive sossego nesta vida,
mas espero ter paz na sepultura,

pedindo à Escuridade guarida.



Já na agonia imploro a Deus brandura
para evitar que na minha partida

haja, como agora, tanta Amargura.



Quadras

Dilema: Noite ou Dia?

A Noite

A Escuridade
d’estrelas o brilho

alegre nutria

como a ovelha o filho.



O gelado Inverno
os Amores unia,

as bocas selava
e ninguém ouvia.



O Dia

Quando surge o dia,
Toda a Natureza

fulvo Sol aguarda
Porém, a tristeza


neste rosto grava
o adverso Fado

daquele que está
da vida enjoado.



Desejo

Ais meus ouvi, Morte.
Ó Nume vem cá.

Não quero esta Vida,
mas a Morte, já.





Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra



sábado, abril 14, 2012

Um olhar


Foto minha

O arco-íris liberta-se do céu, desce à terra e mistura-se ao verde da relva.

quinta-feira, abril 12, 2012

Recordando...

Estes são alguns dos típicos vendedores ambulantes que povoam as ruas de Istambul, dando-lhes vida e cor com os seus simpáticos sorrisos e suas palavras mágicas..."Hey My Friend"...






Fotos minhas

quarta-feira, abril 04, 2012

Um olhar


Foto minha

Carrinhos de linha são registos de vida enrolados com maior ou menor exactidão que guardamos na  nossa memória, histórias vividas com alegria ou tristeza que desenrolamos com maior ou menor saudade consoante as emoções com que as vivemos.
Umas já estão definitivamente "arrumadas", adormecidas, porque cumpriram bem ou mal a sua função, outras ainda andam "aos trambolhões", inquietas, pois a sua força perturba e interfere no nosso quotidiano.
Carrinhos de linha são, efectivamente,  as lembranças que perduram, guardadas nas sempre eternas caixas de costura.

domingo, abril 01, 2012

Momento de poesia com Agostinho Fardilha


(Reis e Rainha nascidos neste mês)




Afonso II e as Cortes de Coimbra;
bela  era Inês e tu, Pedro, generoso;
ri-te, João: Aljubarrota ainda timbra;
intuíste, Pedro, Methuen famoso;
leda, não, Maria ( II); mas Virgem te nimba!

Vocabulário:
Nimbar = cercar com auréola

Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra

imagem:internet

quinta-feira, março 29, 2012

Um olhar


Fotos minhas

De forma original e harmoniosa, beleza exuberante e delicada, mas efémera, cores variadas, os hibíscos embelezam qualquer jardim.

segunda-feira, março 26, 2012

Recordando...

Não muito longe daqui, um modo diferente de vida. Famílias nómadas, "marroquinos em  liberdade", numa quase paisagem lunar.
Ali, senti-me fora do espaço e do tempo.






Fotos minhas

sexta-feira, março 23, 2012

Um olhar


Foto minha


A tristeza nos olhos estampada,
o olhar constante ao Céu requer
da liberdade seja esmoler,
dádiva por todos desejada.
O canto da ave prisioneira
é misto de tristeza escondida
e de uma ameaça reprimida
contra a Natureza traiçoeira.
E quanto humano, na mente sua,
da escravidão é sempre refém,
sendo privado do melhor bem:
liberdade e aí Deus recua!

Agostinho Alves  Fardilha (o meu pai)
Coimbra


domingo, março 18, 2012

Momento de poesia com Agostinho Fardilha

Marquesa de Alorna

(1750 – 1839)



“ Tem-se dito – e com certa dose de justiça – que a Marquesa de Alorna ( D. Leonor de Almeida) é a nossa Madame de Stael, cabendo-lhe, pois, o mérito de poder ser considerada a verdadeira precursora do Romantismo em Portugal.

A sua vida é fascinante. Educada com a irmã no Convento de Chelas desde os 8 anos, enquanto o pai, à ordem de Pombal, cumpria pena na prisão no forte da Junqueira, D. Leonor de Almeida, com o seu espírito cheio de curiosidades, fez como que uma sucursal arcádica das visitas e das conversas que mantinha atrás das grades.

Estava-se numa época em que a clausura não era rigorosa. Podiam acorrer visitas ao locotório e, entre estas, começaram a aparecer admiradores vários da jovem poetisa, que logo o padre Francisco Manuel do Nascimento (Filinto Elísio) apelidara de Alcipe,nome que lhe ficara para sempre.

O casamento com um nobre germânico, e largas estadias, primeiro em Viena, depois em Lourdes, reforçaram o seu progressismo e o gosto pela poesia sentimentalista.

Falecido o irmão primogénito, herdou o título por que é mais conhecida.

A extensa obra , bem como a rasgada cultura desta mulher, é um misto de tendências diversas. Quantitativamente, predomina ainda em Alcipe o classissismo. No entanto, convém lembrar a tentativa de poesia cientista (Recreações Botânicas) e um certo número de composições funebremente sentimentalistas ou melancólicas”.



Recordemo-la com as composições poéticas, que se seguem.

I – Soneto

Amor de Mãe

Vénus, sensual, e apetecida
por todos os amantes, pede a Vulcano,
o marido, das forjas soberano,
que para o filho, amor da sua vida,

Eneias, com a história luzida
de Roma, fabricasse escudo arcano
desde a Loba até Triunfo Augustano.
Vulcano cedeu à deusa atrevida.

Eneias dos factos narrados ignaro,
admira, porém, a fama e o destino
dos vindouros que Jove põe a claro.

Cípria, rejeitando o pai cretino,
deste filho se torna sempre amparo:
no coração viverá seu menino!

Vocabulário:
Cípria = Vénus
pai cretino = Júpiter ou Jove

II – Elegia

Acorda , minha Alma, e vem Deus louvar.
Sai desses bosques sagrados e escuros,
Onde passas as noites a chorar.

Salta, ligeira, da tristeza os muros,
Não deixes destes olhos mais brotar
Corrente amarga e do meu peito duros

suspiros libertar. Já a Natureza
acordou e das Graças recebeu
do céu e da terra toda a beleza.

Lá vem o Sol, fugindo a Prometeu,
com quentes raios apagar frieza.
Olha as plantas e o espreguiçar seu.

Que maravilha! Até as flores coram,
as aves de música suave enchem
os céus, onde mais o Criador moram.

Deus, minhas dores até Contigo mexem,
e, agora, mais acalmados, Te imploram
que a má sina e as Fúrias me deixem.

Vocabulário:
Graças= divindades que personificam a beleza
Prometeu= génio do fogo, roubando-o ao céu
Fúrias= deusas da vingança

III- Apólogo
O Galo e a Raposa

A raposa, esfomeada,
do monte desce aos quintais
à procura de caçada
que a barriga enchesse mais.

A Aurora ia fugindo,
quando ouviu galo cantar.
P’ra lá correu sem parar.
Oh! Galináceo, lindo...

Era grande e oh! Que crista!
Chegando, disse: bom dia,
amigo. O canto é d’artista.
Vem fazer-me companhia.

És muito tonta, matreira
raposa. Já lambes a boca.
Galo tenro na pança oca
sabia que nem “gingeira”.

Embora foi cabisbaixa
a raposa. O galo alegre
cantou. Isto só rebaixa
quem na mentira se integre.


Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra

Foto:internet

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