Esta escultura existente no parque tem gravado na pedra o seguinte: Maria
Alice C. Pereira - Julho 1956
A Escultura do Parque D. Maria II (Santo
Tirso)
Quando no nosso dia a dia atravessamos o bonito parque
desta vila, nossos olhos, quase inconscientemente, quedam-se num sugestivo
grupo escultórico que, além dum simples olhar, merece a nossa admiração e até
bem pode constituir para nós um justo motivo de orgulho. Talvez estas palavras
possam ser consideradas exageradas, mas elas têm aqui o seu significado exacto.
É que, se possuir uma obra de arte é sempre um motivo de orgulho, no caso
presente é-o muito mais, pois se trata de um trabalho executado por alguém que
há relativamente pouco tempo ainda, ensinou na nossa Escola Industrial.
A Escultora Snr.ª D. Maria Alice, pela sua dedicação e
constância no trabalho escolar, pelas suas notáveis qualidades artísticas,
pelas virtudes peregrinas do seu coração, ainda não está esquecida, nem estará
jamais de quantos tiveram a felicidade de serem seus alunos. E esta escultura,
com que presenteou a vila de Santo Tirso e o seu parque, é bem a prova dos seus
dons, perante os quais justo é nos curvemos reverentes.
Fazer escultura não significa apenas dar uma forma ao
barro, ao granito, à madeira. É mais. É imprimir a esses materiais, frios e
inertes, um pouco do nosso ser, da nossa vida. A concepção de uma obra de arte,
o desbobinar do seu processo evolutivo, são coisas muito diferentes do que
qualquer pessoa possa imaginar.
E que nos dizem essas duas figuras, impregnadas dum
misto de poesia e encanto, além da sua função decorativa? Não quererá aquele
“dar as mãos” simbolizar uma fraternidade que teimosamente queremos esquecer,
por nos acharmos seguros de nós próprios, confiando demasiadamente na nossa
pessoa e esquecendo que, unidos e confiantes, mais e melhor podemos dar e
possuir? Sim, aquele grupo decorativo demonstra bem a necessidade de confiarmos
uns nos outros, dando-nos as mãos firme e fraternalmente.
E a escultora Snr.ª D. Maria Alice – alma verdadeira
de verdadeira artista – a um bloco duro, e frio, que na sua forma tosca e
natural nada nos dizia, transmitiu algo de grandioso e sublime, concretizando
assim as suas ideias no mundo plástico da Arte.
Pela professora D. Etelvina Soares
In «vozes do ave» - Ano 4 - n.º 10 - 10 de Março de
1964
Edição e Propriedade do Centro Escolar N.º 2 da
Mocidade Portuguesa – Ala de Santo Tirso – e dos alunos da Escola Industrial e
Comercial de Santo Tirso
Fonte: Página do facebook (Santo Tirso com História)