quarta-feira, junho 17, 2009

Voltei ao baú!!!


Tirei de lá mais uma toalha, também feita em croché (linha fina) aplicada em quadradinhos de linho.

Nesta, só a renda foi feita por mim, pois não fiei o linho nem o bordei.

Como sempre ,sou suspeita!
Acho-a linda!









segunda-feira, junho 15, 2009

A cidade do Porto vista por alguns escritores portugueses




“ O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias”
(Sophia de Mello Breyner)


“Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há quem pouco troque a liberdade pela servidão”.
(Almeida Garrett)

“ O portuense não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vingam-se, desprezando-a. Da polícia vinga-se resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria”.
(Ramalho Ortigão)

“ E quanto ao riso, o Porto gosta de rir com uma certa insolência: ri mais desbragadamente, mais primariamente, mais saudavelmente e com mais gosto do que Lisboa”.
(Vasco Graça Moura)

“ Afinal, o Porto, para verdadeiramente honrar o nome que tem, é, primeiro que tudo, este largo regaço aberto para o rio, mas que só do rio se vê, ou então, por estreitas bocas fechadas por muretes, pode o viajante debruçar-se para o ar livre e ter a ilusão de que todo o Porto é a Ribeira.”
(José Saramago)


“ Toda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha.”
(Agustina Bessa Luís)


“Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S.Carlos e o Martinho. Detestam-se!”
(Eça de Queiroz)


“ Uma ida ao Porto é sempre uma lição de portuguesismo, tanto mais rica quanto mais raramente lá se vai. É indispensável – claro!-um mínimo de contacto reiterado com esse lar da nação para nele vermos algumas das significações latentes que enriquecem a nossa consciência de práticas.”
(Vitorino Nemésio)

“ O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral na integridade da nação.”
(João Chagas)

“ O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.”
(Alexandre Herculano)


Foto: JoséPedrosa


domingo, junho 14, 2009

Não podia deixar de recordar…

Ontem, dia 13 de Junho fez 25 anos que morreu António Variações ,um grande cantor emocional.

Gosto de toda a sua discografia.

Escolhi esta canção para lhe prestar uma pequena homenagem.

Para informação mais detalhada sobre a sua vida” clique” aqui.

Quem festeja hoje o seu 1.º aniversário?


Imagem:internet

sábado, junho 13, 2009

Fernando Pessoa , nasceu a 13 de Junho de 1888



É um dos maiores poetas da literatura portuguesa.
Poeta que muito aprecio.
Da sua vasta obra seleccionei este poema.



Todas as Cartas de Amor são Ridículas



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa



P.S. Para informação detalhada sobre a sua vida e obra clique aqui.

Imagem:internet

Começaram os Santos Populares! (Santo António)

Não sendo apreciadora de arraiais nem de festas populares, deixo aqui este breve apontamento.



Foto:internet


Santo António é conhecido por todos como o "Santo Casamenteiro", pois, em vida, tinha o costume de pagar os dotes das moças pobres, para que assim conseguissem casar. Depois de sua morte, as devotas não pararam de invocá-lo para pedir um marido. Ainda hoje a tradição é mantida.

Galeria de F.lopes´s Album


sexta-feira, junho 12, 2009

Aveiro "Capital do meu Distrito"


Aveiro é uma cidade colorida e luminosa, localizada numa zona de invulgar beleza.

A diversidade paisagística da região em que se enquadra é extraordinária.

É uma cidade onde apetece viver para melhor descobrir e sentir todos os seus encantos.

.




Fotos:recebidas por e-mail

Vídeo: Meu

quinta-feira, junho 11, 2009

Uma Bimby na boca(crónica de Miguel Esteves Cardoso)


Não minta: há ou não há metade de um bolo-rei na sua vida, neste momento, algures, a olhar para si ou dalguma forma a esperar por si, sem saber o que dele fará?


É a ocasião perfeita para se converter à Gastronomia Mandibular, filha ilegítima de Ferran Adrià e do mítico Pastor-Mastigador-De-Canivete-Em-Punho. Quem não o conhece? É aquele que sucessivamente enfia na boca: pelo canto esquerdo, uma bucha de pão; pelo direito, um naco de queijo e, pela frente - o único acesso que permitem as bochechas distendidas - uma ficha de chouriço. Quando não mais uma clandestina azeitoninha. Finalmente infiltra por uma frecha nos lábios um decilitro de tinto. E logo começa a mastigá-las e a organizá-las internamente ao gosto dele.


Na verdade, todos temos uma Bimby na boca. Com o bolo-rei e um Moscatel faz-se a demonstração. É na boca que se ensopa o bolo com o licor; levando-o ao céu da boca e pousando-o nos molares; fazendo uma cova aqui; separando ali uma passa para degustar; ora reencaminhando um pinhão para ser triturado à parte; ora fazendo uma assemblage de massa de bolo e noz na nave central, para pesar, empapar e saborear antes de ser finalmente passado ao estreito.


A língua é talher, batedeira, Salazar, prato, tabuleiro, balança e mesa de provas. A boca é a cozinha e o cozinheiro. Basta escolher (a dedo) os ingredientes, alinhá-los à sua frente e deixar que a sua Bimby interna faça o resto. Ora eis o autêntico antepassado da cozinha de autor!
Imagem:internet

quarta-feira, junho 10, 2009

10 de Junho/Dia de Portugal



Luís de Camões morreu a 10 deJunho de 1580.
Por isso se celebra nesta data o Dia de Portugal, chamado oficialmente” Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.


Há alguns anos, o 10 de Junho também era chamado o «Dia da Raça», «Raça» lusitana, ou seja, todos os que são portugueses, tanto os que estão em Portugal como os espalhados pelo mundo!


Os nossos símbolos

A Bandeira Nacional
O Hino Nacional









Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa, in "Mensagem"

Pequena homenagem a Ray Charles que morreu a 10 de Junho de 2004

terça-feira, junho 09, 2009

Momento de Poesia...com Paula Raposo



Olhas-me


Gosto quando me olhas
sorrindo
sem nada dizeres,
tocando o meu corpo
e procurando o meu beijo.

Gosto desse teu sorriso
que eu saberia reconhecer
em qualquer lugar,
no meio de todos os outros
sorrisos
que não distingo.

Gosto quando me olhas
e os teus olhos
também me falam de paixão.

Paula raposo

Foto:internet

segunda-feira, junho 08, 2009

Vida e cor na Primavera !

Coloridas e luminosas, lembram um arco-íris ao alcance das nossas mãos. São belas porque são livres e são livres porque são puras e efémeras.
São uma beleza para ser voada, uma sinfonia da natureza, o encanto para qualquer olhar sedento de liberdade.





Fotos:recebidas por e-mail

Vídeo:meu

domingo, junho 07, 2009

Entre aspas



“ O que importa é não nos esquecermos durante quatro anos que os deputados portugueses estão lá. Pagos por nós. A representar-nos. E é nosso dever chateá-los. E espremê-los. E pô-los a dançar a nossa música. Que nem bailarinos.”

Miguel Esteves Cardoso
Cronista
Público

sábado, junho 06, 2009

Judo de parabéns!

Telma Monteiro e Joana Ramos ganham ouro.Leandra Freitas ficou com o bronze.

Leiam aqui.

Sabedoria Popular

Alguns


de Junho



Chovam trinta Maios e não chova em Junho.

Chuva de Junho, peçonha do mundo..

Feno alto ou baixo, em Junho é cegado.

Junho calmoso, ano formoso.

Junho floreiro, paraíso verdadeiro.

Junho, dorme-se sobre o punho.

Junho, foice em punho.

Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.

Sol de Junho, madruga muito.

Ande o Verão por onde andar pelo S. João cá vem parar.

Chuva pelo S. João bebe o vinho e come o pão.

Galinhas pelo S. João no Natal ovos dão.

Guarda pão para Maio, lenha para Abril e o melhor tição
para o S. João

Junho chuvoso, ano perigoso.

Junho quente, Julho ardente.

Lavra pelo S. João e terás palha e pão.

Pelo S. João a sardinha pinga no pão.

Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.

Quem em Junho não descansa enche a bolsa e farta a pança.

Quando o vento ronda o mar na noite de S. João, não há Verão.



sexta-feira, junho 05, 2009

Momento de Poesia



QUEM SERÁ?


Quem será? Quem será? Quem será?

Que te beija a boca e te deixa louca e te faz sonhar?

Quem será? Quem será? Quem será?

Que toca o seu corpo e que fica morto de tanto te amar?



Quem será o dono desse amor

Que viaja no seu pensamento

Que te arrepia a pele e mexe por dentro

Quem será o dono do seu sentimento?



E eu aqui a ponto de enlouquecer

Querendo saber de você

Eu não aceito te perder

E eu aqui morrendo, mordido por dentro

Querendo uma chance, um momento

Preciso dizer que te amo



Beatriz Kauffmann’s Web Site
Imagem:internet

quinta-feira, junho 04, 2009

Jorge Palma, nasceu a 4 de Junho de 1950

É um cantor/compositor actual.

Como alguém um dia disse, "em Jorge Palma sobressai a capacidade de redescobrir a música, de criar uma forma atraente, de exibir sentimentos, explorar emoções, e cativar sempre mais gente, a acompanhar a sua solidão junto ao piano, num misto de querer estar só, mas com todos os outros".

Da sua discografia saliento do álbum “Voo Nocturno” a canção “Encosta-te a Mim”.

Apesar de ser uma das mais comerciais, tem um poema lindo!
Gosto dela!

Ouçam-na e leiam o poema!





Encosta-te a Mim


Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos.
Encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar.
Encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.


Chegada da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver, em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.


Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei
às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem,
encosta-te a mim.


Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes.
Vizinha de mim,
deixa ser meu o teu quintal,
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como foi.



Eu venho do nada
porque arrasei o que não quis
em nome da estrada, onde só quero ser feliz.
Enrosca-te a mim,
vai desarmar a flor queimada,
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.


Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo, e o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar,
mas quero-te bem.

Encosta-te a mim

Encosta-te a mim

Quero-te bem.

Encosta-te a mim.

quarta-feira, junho 03, 2009

Diz-me onde moras... (por Miguel Esteves Cardoso)


"Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada.


Por exemplo. Há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide.


Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide.


Nunca mais ninguém o viu.


Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!


Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com PIDE e as pessoas não lhes ligam pevide.


Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.


Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos.


O tamanho e a arquitectura da casa não interessam.


Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alfornelos, Murtosa, Angeja… ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.


Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. (...)


Ao ler os nomes de alguns sítios – Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na Europa.


De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?


Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses.


Imagine-se o impacte de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar.


Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).


E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?"


Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).


É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda.


Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas?


É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".


Ninguém é do Porto ou de Lisboa.


Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.


Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).


É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").


Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido.



(...) Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!


Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.


Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)


Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do "Bogadouro"¹, (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).



¹ - Bogadouro é o Mogadouro quando se está constipado!!! "
(Miguel Esteves Cardoso)

terça-feira, junho 02, 2009

Opinião

Novos pobres


Este ano fui um pouco mais generoso na contribuição para o Banco Alimentar Contra a Fome porque me lembrei do pobre Dr. Vítor Constâncio e demais administradores do Banco de Portugal, que se queixam de que já não são aumentados desde 2005. Tão precária deve ser a situação de todos eles que os seus salários (ao contrário do que sucede, por exemplo, na Reserva Federal americana) nem são tornados públicos para lhes evitar a vergonha.



No entanto, segundo a sua declaração de rendimentos de 2006, sabe-se que o Dr. Vítor Constâncio ganha pouco mais de 23 mil euros por mês (o presidente da Reserva Federal ganha 15 mil). É certo que o Dr. Vitor Constâncio tem direito a carro de alta cilindrada e motorista pagos pelos contribuintes, taxas de juro bonificadas e reforma ao fim de 5 anos, mas que é isso para um licenciado pelo ISCEF e ex-secretário-geral do PS? Por isso, mais louvável ainda é o desprendimento e apego à causa pública com que o Dr. Vítor Constâncio e seus pares dolorosamente aceitaram prescindir este ano do aumento de 5% (mais 14 mil euros anuais) que chegou a ser anunciado. Deus lhes pague.





Manuel António Pina

Jn 01/06/2009

Parabéns Pedro

Faz hoje 41 anos que nasceu o meu primeiro sobrinho



Pedro com 2 anos

segunda-feira, junho 01, 2009

Dia Mundial da Criança




Este dia serve para lembrar um grande problema mundial: o esquecimento dos direitos das crianças.





…Grande é a poesia, a bondade e as danças...Mas o melhor do mundo são as crianças.


(Fernando Pessoa)

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A origem do nome do mês de Junho


O nome do mês de Junho terá tido origem no nome de Júnio Bruto – em latim Junius - ou da rainha dos deuses, Juno, a quem o mês era consagrado.

Na Grécia era festejado Júpiter Olímpico, mês de festas e jogos que teriam sido iniciados por Hércules. Entre nós é o mês dos santos populares, das fogueiras e das canções invocando os seus milagres.


Este mês é representado por um jovem coberto com um manto verde escuro, com um cesto de fruta no braço e na mão uma águia.
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sexta-feira, maio 29, 2009

Elogio ao Amor (Miguel Esteves Cardoso)



"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível.A culpa é minha.
O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".

O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.

O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.

O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber.
É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


Miguel Esteves Cardoso – Expresso


Imagem:internet



quinta-feira, maio 28, 2009

Wolfgang Amadeus Mozart faleceu ,em Salzburgo ,a 28 de Janeiro de 1787 .


Foi um dos maiores compositores de música erudita de todos os tempos.

Começou aos 5 anos a escrever pequenos duetos e composições para piano.


Compôs ao todo 626 obras. 41 sinfonias, centenas de concertos, sonatas, músicas sacras e de câmara, além de 13 óperas.

Entre as de maior destaque estão, “As Bodas de Fígaro”, “Don Giovanni”, “A clemência de Tito” e “A flauta Mágica”.




Apesar de a achar melancólica, é uma das minhas preferidas. (Sonata Piano Concerto n-º 21)



quarta-feira, maio 27, 2009

Pintura de uma amiga

Uma amiga dotada para as artes decorativas, dedicou-se à pintura.

Ofereceu-me, como prenda de anos, esta belíssima tela em acrílico. Já a incentivei a abrir um blog para divulgar a sua arte.

Deixo aqui este” cheirinho”.

O original está muito melhor que a foto.





terça-feira, maio 26, 2009

Miles Davis nasceu a 26 de Maio de 1926

Foi trompetista e compositor de jazz, norte-americano.

Miles Davis pertenceu a uma classe tradicional de trompetistas de jazz.

Como trompetista ,Davis tinha um som puro e claro.Tinha um registo baixo e minimalista de tocar.

Uma de suas obras-primas foi o álbum "Kind of Blue", de 1959.


Gosto de o ouvir tocar..."Summer Time"



Pesquisa:internet

segunda-feira, maio 25, 2009

Cantiga Romanceada


Poesia Religiosa
Rainha Santa Isabel
“Milagre das rosas”


De Isabel de Aragão ouso falar,
misturando a verdade com a lenda.
De Navarra também veio esta prenda.
Seu avô, D. Jaime, ao dela falar,
Isabel, Rainha de Portugal,
em caridade só Deus foi rival.

“a rosa de Aragão” chamar-lhe quis.
Com El-Rei D. Dinis fez casamento
e, colaborando no incremento
do reino, o marido disse: eu quis
Isabel, Rainha de Portugal,
em caridade só Deus foi rival.

que ora fossem aumentados os seus bens.
Com mais rendas surgem albergarias,
conventos e aos pobres...melhorias.
Paz familiar conseguida a bem,
Isabel, Rainha de Portugal,
e em caridade só Deus foi rival.

espalhou a harmonia e o amor
aos carenciados de toda a sorte.
Já Deus a distinguiu antes da morte,
fazendo milagres. Sem desamor,
Isabel, Rainha de Portugal,
em caridade só Deus foi rival.

vendo-a ao povoléu abençoar,
que, rindo, recebia algum pataco,
o Rei inquiriu: porquê tal recato?
Senhor, só o bom povo abençoei,
Isabel, Rainha de Portugal,
em caridade só Deus foi rival.

pois deram-me flores de bom cheirar.
Logo ela abriu o seu casto regaço
e das muitas moedas todo o espaço
lugar deu a rosas p’r Ele cheirar,
Isabel, Rainha de Portugal,
em caridade só Deus foi rival.

serenando a inquietação real.
Mas uma vez mais El-Rei, encontrando
fora D.Isabel e perguntando
o que ia no regaço de real,
Isabel, Rainha de Portugal.
em caridade só Deus foi rival.

se seriam esmolas feitas de pão…
Respondei, minha Esposa e Rainha,
e dizei o que escondeis tão azinha.
Sorri, mas, acariciando os pães,
Isabel, Rainha de Portugal,
em caridade só Deus foi rival.

responde:meu Marido e meu Senhor,
não sentis o fino odor destas rosas
que aqui trago e que são das mais formosas?
Desdobra o regaço e aos pés da Senhor
Isabel, Rainha de Portugal,
em caridade só Deus foi rival.

caem lindas flores. D.Isabel,
morto D. Dinis, tornou-se clarissa.
Foi Rainha da Paz e da Justiça.
Jaz em Coimbra, seu leal donzel.

O Anjo da Paz foi D. Isabel.
A todos fez bem, a ninguém quis mal.




Coimbra, 25 de Maio de 2009
Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)


Vocabulário:
Senhor(substantivo uniforme)=amo, patrão, dona, senhora;

Estrutura da poesia:
cantiga (romanceada), de refrão, atafinda, mozdobre(ou mordobre) e finda, em estrofes de quatro versos decassilábicos(agudos e graves). Rima interpolada(nas estrofes).

Esquema: a b b a C C A c

Esclarecimento:
A rainha D. Isabel de Aragão era filha de D. Pedro III de Aragão e de D. Constança, de Navarra. Era seu avô D. Jaime I, o “Conquistador”.

Imagem:internet


domingo, maio 24, 2009

Amores


“ O primeiro amor é o adolescente, o segundo tende a reparar os distúrbios do primeiro, e o terceiro, com sorte, será o nosso, o da maturidade.”

Cristina Ferreira
Psicóloga

Notícias Magazine- 24/05/2009
Imagem:internet

sábado, maio 23, 2009

MEME do Dicionário

Recebi este Meme do blog http://www.mym-pt.blogspot.com/. Aceitei! Aqui vai!


1) Pegue o dicionário, de preferência de língua portuguesa, mais próximo que você encontrar...
2) Abra esse dicionário em qualquer página...
3) A primeira palavra que vir, retire-a e digite-a no “Google Imagens“...
4) Faça uma postagem a dizer qual a palavra que foi sorteada...
5) E mostre o primeiro resultado da imagem conseguida, digitando essa palavra.





Palavra: centauro (monstro fabuloso, com corpo de cavalo e busto de homem).

Repasso este desafio a todos os meus seguidores.

Gostava que o levassem.

sexta-feira, maio 22, 2009

Faz hoje 85 anos

Charles Aznavour é um cantor francês de origem arménia, também letrista e actor.

Além de ser um dos mais populares cantores da França, é também um dos cantores ,franceses, mais conhecidos no mundo.


Destaquei as canções de que mais gosto.

Ouçam-nas comigo!




quarta-feira, maio 20, 2009

“Torga morria!”



Torga em versão SMS


VIAGM

É o vnto k m lva.
O vnto lusitano.
É st sopro humano
Univrsal
K nfurna a inkietaçao d Portugal.
É sta fúria d loucura msnsa
K td alcança
Sm alcançar.
K vai d céu em céu,
D mar em mar,
Ate nc chgar.
É sta tntaçao d m ncontrar
+ rico d amargura
Nas pausas da avntura

Para informação, mais detalhada, leiam aqui e aqui
JN 20/05/2009

Portugal Profundo


Apreciem o nosso” Portugal Profundo” com características rurais onde o silêncio, o ambiente e o sossego aliados ao acolhimento das suas gentes são motivo para merecer a nossa visita.




Fotos:recebidas por e-mail

terça-feira, maio 19, 2009

Momento de Poesia


EU QUERIA



Eu queria você aqui, agora,
me dando um beijo, me olhando e...
sonhando.

Eu queria você
me beijando no ouvido,
falando baixinho,
me fazendo sonhar...

Eu queria você
me tirando do espaço,
me roubando um suspiro...

Eu queria você
para deitar no seu peito,
despertar o desejo,
esquecer o que é direito...

Eu queria você
para te olhar bem de perto,
te beijar sem censura,
te levar à loucura...

Eu queria você
brigando comigo
se te corto um pouquinho,
ou te chamo a atenção...

Eu queria você
a me morder de mansinho,
me fazer um carinho,
me fazer flutuar...

Eu queria você
para afagar meu cabelo,
descobrir o que penso,
ser um pouco de mim...

Eu queria você
para me deixar contente
quando o mundo parece
desabar sobre mim.



Eu queria você para,
se eu chorar, chorar comigo
e saber o motivo,
ser meu amor e meu maior amigo.

Letícia Thompson

Foto:internet

segunda-feira, maio 18, 2009

Alegria no trabalho

O facto de a directora regional de Educação do Norte escrever com erros de ortografia e sintaxe e se exprimir num tartamudeio vagamente parecido com o Português, ou lá que língua é, não seria notícia no estado de coisas (um "Estado Novo" pois, como diria Pessoa, é um estado de coisas como nunca se viu) a que chegou a Educação em Portugal.


Notícia é continuar a fazê-lo, ante a mandarínica indiferença do Ministério da "Educação". Agora deu-lhe para o lirismo metafísico, num e-mail de agradecimento às escolas pelo seu "apoio" (pelos vistos está convencida de que tem o apoio das escolas): "Faz hoje 4 Anos./ Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas./ Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem./ Contudo há algo que o tempo tem os limites certos".


É verdade que momentos, ou "algo que o tempo tem os limites certos", de boa disposição como os que provoca a correspondência da directora regional são importantes em dias de tensão como os que hoje se vivem nas escolas.


Talvez, quem sabe?, seja esse louvável objectivo que move Margarida Moreira: pôr as escolas a rir.



Manuel António Pina
In JN 18/05/2009

domingo, maio 17, 2009

Recebi este mimo!

Ouçam! Vale a pena!

I give her all my love
That's all I do
And if you saw my love
You'd love her too
I love her

She gives me ev'rything
And tenderly
The kiss my lover brings
She brings to me
And I love her

A love like ours
Could never die
As long as I
Have you near me

Bright are the stars that shine
Dark is the sky
I know this love of mine
Will never die
And I love her

Bright are the stars that shine
Dark is the sky
I know this love of mine
Will never die
And I love her

Sandro Botticelli morreu a 17 de Maio de 1510



Foi um dos mais importantes artistas italianos do Renascimento Cultural.

Desde jovem, dedicou-se à pintura mostrando grande talento para as artes. Nas suas obras seguiu temáticas religiosas e mitológicas.

Este importante artista resgatou, de forma brilhante, vários aspectos culturais e artísticos das civilizações grega e romana.

Fez retratos de pessoas famosas, da época.

As pinturas de Botticelli são marcadas por um forte realismo, movimentos suaves e cores vivas.

Da sua vasta obra destaca-se “O Nascimento de Vénus” e “A Primavera”. Nestas obras, observamos a valorização das forças da natureza, o realismo e o resgate da mitologia romana.






O Nascimento de Vénus


A Primavera




Inseri vídeo com algumas obras do pintor.
Apreciem!







Pesquisa:internet
Fotos:internet

quinta-feira, maio 14, 2009

Quem diz que a amizade virtual, não pode ser real?!

Há algum tempo estaria longe de imaginar que, ao decidir aventurar-me nos “meandros”da blogosfera iria encontrar amigas”virtuais” que o deixariam de ser!

Aconteceu!

Houve desde o início uma empatia entre nós, a Carla do blog “cor-e- vontade” e eu.
Depois de alguns meses de troca de comentários (bem divertidos e instrutivos), surgiu a oportunidade de nos conhecermos,”ao vivo e a cores”!!!
Fazíamos uma ideia uma da outra, acho eu!, pois tínhamo-nos “espreitado” numas fotos ,lá pelos nossos “cantinhos”.

Encontro combinado e marcado:
Colombo, porta do “Gato Preto”!

Cheguei primeiro. Olhei, olhei…e, pouco depois, alegre e rindo, a Carla apareceu!
Seguiram-se os beijos da praxe e a Carla perguntou-me se eu me importava que a Maria do “Fios de Alfazema” viesse ter connosco.

Assim, o encontro a duas foi a três.

Foi giríssimo!
Podem calcular!...
Falámos, falámos horas a fio, ou não fossemos mulheres…


Vejam a foto e adivinhem:
Quem é Quem”?


Colombo


Para abrilhantar o post do nosso “encontro”, a Carla sugeriu que inserisse um poema.
Escolhi este, de que gosto .



Um dia o amor
virou-se para a amizade e disse:
para que existes tu,
se já existo eu?
A amizade respondeu:
- para repor um sorriso,
onde deixaste uma lágrima.

(autor desconhecido)


A Carla presenteou-me com este “mimo”(uma telha pintada à mão)…uma delícia!...Como sabem, ela é uma “artista”!
Apreciem!



P.S. Este post já devia ter ido para o ar (dia 10), mas como podem imaginar, estive fora.

quarta-feira, maio 13, 2009

As mulheres, por Miguel Esteves Cardoso...




Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.

Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim.

Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.


Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais.

As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade.

Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos.

Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vai levar à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É a verdade. E é bonita.



Foto:internet

terça-feira, maio 12, 2009

Manuel Alegre , poeta e político português faz hoje 73 anos.


Como político, distinguiu-se na oposição ao regime salazarista e marcelista, tendo conhecido o exílio.

Após 1974 foi governante e deputado socialista.

A sua poesia combina a intenção política com uma dimensão lírica influenciada pela poesia trovadoresca e quinhentista.Para além do tom épico, tem também grande musicalidade, o que faz com que seja muito cantado.

Recebeu numerosos prémios literários entre eles o Prémio Pessoa em 1999.


Fonte: Enciclopédia Verbo na Internet


Inseri um poema de que gosto


Coração Polar

Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha .
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.

Manuel Alegre in" Poemas de Amor"
Foto:internet

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