terça-feira, janeiro 27, 2009

Inscrição para uma lareira



A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida…

(Mário Quintana)
(Foto:internet)

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Comemoração



D. Vicente da Câmara, de 80 anos de idade, personagem incontornável da história do fado, comemora hoje e amanhã no Tivoli, em Lisboa, os seus 60 anos de carreira. Tudo começou em 1948, quando ganhou o prémio da Emissora Nacional.

“ A Moda das Tranças Pretas”, foi o seu principal cartão de visitas.





domingo, janeiro 25, 2009

O laço



Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço…uma fita dando voltas? Enrosca-se mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braços. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando…devagarinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então, é assim o amor, a amizade? Tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita? Enrosca, segura um pouquinho, mas pode-se desfazer a qualquer momento, deixando livre as duas pontas do laço. Por isso é que se diz: laço afectivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então diz-se: romperam-se os laços. E saem as duas partes iguais, os meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor é isso…não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca uma vez que, quando vira nó, já deixou de ser laço.

(Autor desconhecido)
(Foto:internet)

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Continuando com poesia...


Escalar-te lábio a lábio

Escalar-te lábio a lábio
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar
os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta
aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.
Porque é terrível
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve.
Abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho-
a glande leve.

Eugénio de Andrade
(Foto:internet)

quarta-feira, janeiro 21, 2009

47-º aniversário da morte de João Villaret

O actor e declamador João villaret morreu a 21 de Janeiro de 1961, em Lisboa, aos 48 anos de idade.

Contribuiu para a divulgação da poesia e de poetas como Fernando Pessoa , José Régio, entre outros.

Ouçam -no numa das suas declamações.

142 anos depois continua actual...


terça-feira, janeiro 20, 2009

Momento de Poesia


A escola e os ovos

Não tinha leite nem ovos
A escola onde aprendi
Tinha antes palmatórias
E os “safanões” que sofri

Tem agora boa cantina
Mas ausência de valores
Com muita indisciplina
E agressões a professores

A política chegou à escola
E agora muito mais
Conta é o lugar político
Não os alunos e pais

O que será deste país
Quando os homens do poder
Forem os alunos de agora?
Não é difícil prever…

(António Faria)
S. Mamede de Infesta

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Recordar os "Sitiados"


Morreu ontem, dia 18, em Lisboa, o músico José Aguardela, vocalista, líder e fundador dos "Sitiados".


A sua canção "Vida de Marinheiro", foi por mim coreografada para uma festa, de final de ano lectivo, em 1996.

2-º ano/1996 (escola Conde S. Bento/ Santo Tirso)

2-ºano/1996 (escola Conde S.Bento/Santo Tirso)

Efeméride

Eugénio de Andrade (pseudónimo de José Fontinhas), nasceu há 86 anos, a 19 de Janeiro de 1923.
A sua obra poética é sobretudo lírica, sendo a musicalidade um dos seus aspectos mais marcantes.
.Entre os seus lábios

Entre os seus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o polén do fogo
se junta à nascente,
alartra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
(Foto:internet)

domingo, janeiro 18, 2009

Ser negro (velho) em África





"Ser-se velho em África é um privilégio. Cada velho que morre, cada velho que nos deixa, é uma biblioteca que arde.

Tem que ver com o respeito pela experiência e com a tradição oral."

(escritor e narrador africano)

"Hampeta Ba"

sábado, janeiro 17, 2009

Popeye faz hoje 80 anos

O desenho animado que atravessou gerações, o marinheiro mais famoso da banda desenhada, nasceu no papel, a 17 de Janeiro de 1929 e chegou ao ecrã quatro anos depois.


Quando se fala em Popeye, associamo-lo sempre aos espinafres que "o marinheiro" devorava, para ficar mais forte.

Um pouco de humor..."Choque tecnológico"

A avó do Futuro


sexta-feira, janeiro 16, 2009

Sabedoria Popular


· Janeiro quente traz o diabo no ventre.

· A água de Janeiro, vale dinheiro.

· Em Janeiro, um porco ao sol outro ao fumeiro.

· A 20 de Janeiro, uma hora por inteiro e quem bem contar, hora e meia vai achar.

· Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.

· Em Janeiro, acende a fogueira e senta-te à lareira.

· Janeiro geoso traz um ano formoso.

· Janeiro bom para a vaca, é mau para a saca.

· Em Janeiro, os dias têm saltos de carneiro.

· Janeiro greleiro, não enche o celeiro.

· Em Janeiro veste pele de carneiro.

· Luar de Janeiro não tem parceiro; mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto.

· Comer laranjas em Janeiro, é dar que fazer ao coveiro.


quinta-feira, janeiro 15, 2009

Ainda acreditamos nos sonhos



(…)”Creio que não há sonho mais belo do que o de um mundo onde o pilar fundamental da existência seja a fraternidade, onde as relações humanas sejam sustentadas pela solidariedade, um mundo onde todos compartilhemos da necessidade de justiça social e actuemos com coerência”.
(…)”Tenho muito mundo, muita estrada debaixo dos pés, e em todos os lugares onde estive ou descobri as marcas de outros sonhadores como nós, encontrei mulheres e homens que são como o próprio prolongamento dos nossos sonhos, porque nós também sonhamos os deles”.
(…)”Se não formos audazes, o que não é sinónimo de irresponsabilidade, se não formos terrivelmente audazes como os nossos sonhos e não acreditarmos neles até os tornar realidade, então os nossos sonhos murcham, morrem, e, com eles nós também”.

Luís Sepúlveda
(O poder dos sonhos)
Foto:internet

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Voltando à poesia...


Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais leve ainda…

(Mário Quintana)

terça-feira, janeiro 13, 2009

Xutos & Pontapés " Três décadas de Rock"



Uma das mais carismáticas bandas nacionais, inicia hoje em Lisboa, no Pavilhão de Portugal, numa festa particular, as celebrações dos seus 30 anos de carreira.


Xutos & Pontapés, subiram ao palco pela 1-ª vez, há 30 anos a 13 de Janeiro de1979, num concerto nos Alunos de Apolo.

O sucesso bateu-lhes à porta com o álbum "Circo de Feras" e o "7-º Single" que conta com a canção "A minha Casinha".







Momento Musical " Zeca Afonso"

Ouvir Zeca Afonso é a melhor homenagem que lhe podemos prestar.
Deixo aqui “As Janeiras-Natal dos Simples” cantadas pela voz de timbre único, a voz de ouro, de Zeca Afonso.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Momento de Poesia

do Amor




Prelúdio

O mais belo poema de amor
começou quando me viste
e desejaste;
começou quando nossos olhos
se cruzaram
e se beijaram.

O mais belo poema de amor
foi escrito no silêncio
dos nossos corações,
no alvoroço de nossas mãos
que se não tocaram
mas se enlaçaram.

Adágio
O mais belo poema de amor
escreveste-o tu
segurando-me em teus braços
em momentos bem escassos!

O mais belo poema de amor
nasceu de nossa sede
de ternura
e acabou em loucura.

O mais belo poema de amor
é saber que não há espaço
para este abraço
que começa em ti
e acaba em mim.

Acorde Final
O mais belo poema de amor
escrevemo-lo juntos,
quando nossas almas se beijaram
e nossos corpos se enlaçaram,
despertando em mim, em ti,
acordes vibrantes-sem- Fim.
(in "Antologia da Poesia Erótica",coordenação de Paulo Brito e Abreu,Universitária Editora, 1999)

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