quarta-feira, março 24, 2010

Pequena amostra da exposição "Sem Rede" de Joana Vasconcelos


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Contaminação(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)
(7)
(8)
(9)

A noiva (feito com tampões o.b)

Spin
Sofá feito com aspirinas
Cama feita com comprimidos valium
Passerelle
Floresta do meu desejo
Cinderela
Burka (1)
(2)
Coração Independente

Néctar
Sr. Vinho

Fotos minhas

segunda-feira, março 22, 2010

domingo, março 21, 2010

Dia Mundial da Poesia e da Árvore


Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!


E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!


Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!


Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
Foto minha

Um "mimo" Especial!


A Milai, uma amiga especial ,partilhou comigo o aniversário do seu "cantinho".Obrigada!
Visitem-no. Vale a pena!

sábado, março 20, 2010

Chegou!!! Saudemos a Primavera!




Há vida, cor, alegria...e até cheiro.

Foto minha

Novo "look"

Durante a Primavera o blog vestir-se-á de dois tons de verde, associando-se ao renascer da natureza.




Foto: Suzana Fardilha

sexta-feira, março 19, 2010

Dia do Pai



Tradicionalmente a figura paterna simboliza a autoridade, o apoio, o porto seguro e muita vezes o companheirismo.


Deixo aqui um beijo a todos os pais, em particular ao meu, pois ainda tenho o privilégio de o ter presente.

quarta-feira, março 17, 2010

Recordando...







Lembram-se?!


Faz parte da colecção de velharias da minha irmã mais nova.
Voltei aos bancos da escola primária e recordei um igual que existia na secretária da professora e onde nós, um a um, aparávamos os lápis.


Outros tempos!
Boas recordações!

Fotos minhas

segunda-feira, março 15, 2010

Momento de Poesia com Agostinho Fardilha



Poesia Renascentista


Em homenagem ao escritor quinhentista Francisco de Sá de Miranda, natural de Coimbra.
“Ficamos a dever a Sá de Miranda a introdução, em Portugal, do novo estilo literário(“dolce stil nuovo”), usando as novas formas renascentistas em voga na Itália, onde viveu alguns anos. Mas nunca deixou de cultivar e poetar nos moldes tradicionais, usando a “medida velha”, como se verifica nas “cartas”.
A parte mais original, e por ventura mais interessante, da obra poética de Sá de Miranda é a metrificação em redondilha menor”.
Nas “cartas”, em quintilhas de versos de 7 sílabas, manifesta a sua constante preocupação de fazer moralidade, de ser útil.
Modestamente vou tentar imitar Sá de Miranda, escrevendo, em verso, uma breve carta aos indulgentes leitores dos meus insignificantes escritos.


Carta

Desculpa aos caros leitores,

humilde, quero pedir

e aos indulgentes censores,

por eu lhes diminuir,

o tempo p’ros seus labores.



Para Vós e para mim,

que elogiamos as letras,

serão ócio sem fim,

o bom alimento, enfim,

das mentes, por vezes, pretas.



Mediania dourada,

alegre, opõe-se à riqueza;

é a inimiga ajustada

da ambição. Maior nobreza

do que a vida imaculada?



Evita o explorador

que torna seu o alheio:

das leis não é cumpridor,

revertendo a seu favor

o que furta sem receio.



Feliz era a idade de ouro,

sucedendo-lhe a da prata;

depois, como bravo touro,

a do ferro, que, em bravata,

do mundo fez matadouro.



Como é bom viver no campo!

A ave, fugindo à gaiola,

procura lugar escampo,

aberto e livre de tampo;

medrosa, já cantarola.



Ficam, em geral, no olvido

a tranquila vivência

e o ar puro sempre havido,

da Natureza a essência,

a cura do desvalido.



Livres seríamos nós,

respeitando a “madre antiga”;

não ficaríamos sós,

bastaria a mim e a Vós

como a mãe o filho abriga.



Olhai a simplicidade

d’homem do campo, o vilão,

apagado e sem vaidade.

Ambicioso e mui vão

é o homem da cidade.



Atenção aos lisonjeiros

de que estamos rodeados:

por fora, mansos cordeiros;

por dentro, lobos matreiros.

Ficamos, ora, avisados.



Defendamos a justiça,

que, para ser verdadeira,

jamais acomodadiça,

mas em tudo sempre inteira:

definharia a cobiça!



Pensemos na honra manchada,

que ficará sempre suja.

Vaidade mui disfarçada,

em voga bem praticada,

é a beatice sabuja.



Lembremo-nos como a vida

é fugaz e que a morte

impõe a nossa partida

e nos dá o passaporte

p’ra terra desconhecida.



Será nossa obrigação

honrar os antepassados.

Deram-nos boa lição

sobre o amor ao nosso irmão.

Oxalá sejam lembrados!



Termino. De novo peço

vénia p’ra estas pelejas.

Escrevinhei em excesso.

As palavras, tais cerejas:

como e logo recomeço.




Quintilhas de versos de sete sílabas. Esquema: ababa e abaab e assim sucessivamente, em alternância, toda a sua estrutura.


Vocabulário: pretas= sombrias, melancólicas




Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)



Coimbra



Imagem:internet

sexta-feira, março 12, 2010

Recordando...


Fruto originário das zonas tropicais e subtropicais da América. Acho o maracujazeiro uma trepadeira discreta com suas belas flores e seus frutos de um sabor inconfundível amarelos ou arroxeados, quando maduros.
Aprecio imenso o seu sabor natural, em sumo, gelados, tartes ou misturado numa sangria ou cup de frutas, pois dá-lhe um "toque sofisticado".

Experimentem!


Foto: Zé Fardilha (maracujazeiro com fruto verde)


Foto:Zé Fardilha ( maracujá verde)


Foto : internet (Flor do maracujazeiro)


foto minha (maracujá arroxeado maduro)


Curiosidade: O maracujá também é conhecido como fruto da paixão (passion fruit) devido à sua estrutura floral, que segundo alguns pesquisadores lembra os acontecimentos relativos à crucificação de Cristo.

quarta-feira, março 10, 2010

Momento de Poesia



O dia amanheceu chuvoso.
A natureza chora.
Chora também meu coração.
A saudade
que sua ausência me trás,
Aperta-me o peito.
Sufoca em mim a voz
Que teima em querer
Gritar alto e para todos,
o quanto amo você.
Mas o grito fica retido
No vazio da solidão
Em que me encontro.
Resta-me apenas o consolo
De poder molhar meu rosto
Nas águas da chuva
E misturar minhas lágrimas
Às lágrimas da natureza
Deixando-as, juntas, caírem
Fertilizando o solo que nos sustenta.

(Marisa Nieri)


Foto minha

segunda-feira, março 08, 2010

Dia da Mulher




Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.
Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.
Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.
Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.
Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.
O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.
Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.
Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.
É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.
São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.
Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.


(Eugénio de Andrade)

Foto minha

sábado, março 06, 2010

Li e gostei



A DOR QUE DÓI MAIS



"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.


Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas.


Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.


Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no Inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela/ele continua lhe amando.


Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.


Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."


Martha Medeiros

Foto minha

quinta-feira, março 04, 2010

Eugénio de Castro nasceu a 4 de Março de 1869

Recordo-o transcrevendo um dos seus poemas.



Casas Abandonadas



Casas abandonadas,
Casas sem moradores!
Já não marulham ondas de seda pelas escadas,
E as ervas no jardim abafaram as flores…

 
Os lagos do jardim são olhos cegos…
As salas vazias parecem maiores…
E nas paredes nuas os pregos
Lembram as espadas da Virgem das Dores…

 
Um espelho esquecido, congelado oceano
De tons sombrios, palustres,
Memora com saudade a voz extinta do piano,
E a inquieta irradiação das jóias e dos lustres…

Ao pé duma varanda, onde se abrem martírios,
Jaz no chão uma rosa, e junto dela
Cartas rasgadas: lírios
Chorando a morte duma donzela…


A poeira sucedeu aos tapetes, e tudo
Exala um ar de desconforto envergonhado…
- Ai das que um dia se vestiram de veludo
E agora não têm calçado!


As paredes, o chão, as portas e as janelas
Tudo relembra o dia de ontem, alegre e claro…
- Ai das que foram ricas e belas,
E que hoje são viúvas pobres, ao desamparo!


Em vez dos risos infantis, as ladainhas
Do vento! O repuxo é um cisne a cantar…
- Ai das Rainhas sem corte, das destronadas Rainhas,
De porta em porta a mendigar…


Da casa o coração chora com frio…
Pobre mãe! Seus filhos a deixaram só!
E ora quer ficar nesse amargor sombrio,
Pensando nos que , um dia , abalaram sem dó,


Ora apetece novos moradores
Em cujos sorridentes
E discretos amores
Possa esquecer os que se foram indiferentes…


Casas abandonadas,
Onde as noites são frias, e as manhãs
Pálidas! Casas abandonadas,
Minhas irmãs!


Eugénio de Castro


Foto minha

quarta-feira, março 03, 2010

segunda-feira, março 01, 2010

Momento de Poesia com Agostinho Fardilha


Marte,deus da guerra, deste o nome
ao primo mês do velho calendário
romano. Habitaste de Juno o ovário,
(ç) com Vénus o amor houve renome;
o tempo das estações é diário.(a)

Agostinho Alves Fardilha (o meu pai)
Coimbra

(a) alusão ao clima das 4 estações que normalmente, se verifica num só dia.

sábado, fevereiro 27, 2010

Viver Despenteada


Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie.

Por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade...

O mundo é louco, definitivamente louco...

O que é bom, engorda. O que é lindo, custa caro.

O sol que ilumina o teu rosto, enruga.

E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...

- Fazer amor - despenteia.

- Rir às gargalhadas - despenteia.

- Viajar, voar, correr, entrar no mar - despenteia.

- Tirar a roupa - despenteia.

- Beijar a pessoa amada - despenteia.

- Brincar - despenteia.

- Cantar até ficar sem ar - despenteia.

- Dançar até duvidar se foi boa ideia calçar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível...

Então, como sempre, cada vez que nos vejamos

eu vou estar com o cabelo despenteado...

Mas podes ter certeza que estarei a passar pelo momento mais feliz da minha vida.


É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.


Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,

toda arrumada por dentro e por fora...

O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:

Penteia o cabelo, põe, tira, compra, corre, emagrece,

come coisas saudáveis, caminha direita, fica séria...

E talvez até devesse seguir as instruções, mas...quando me vão dar a ordem para ser feliz?

Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita???

A pessoa mais bonita que posso ser!


A única coisa que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.

Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres:

Entrega-te, Come coisas gostosas, beija, abraça,

dança, apaixona-te, relaxa, viaja, salta,

dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para ficares linda, arranja-te para ficares confortável,

admira a paisagem, aproveita, e acima de tudo:

Deixa a vida despentear-te!!!!


O pior que pode acontecer é que, rindo em frente ao espelho, precises pentear-te de novo...

Autor desconhecido
foto:internet

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Li e gostei




POBRES DOS NOSSOS RICOS



A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem.

Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)


Mia Couto

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Um olhar

É a beleza...do entardecer da vida, que à semelhança do horizonte, tenta esvanecer o cinzento do futuro. Mais um encanto: até a lua espreita a nossa vida.


Fotos minhas

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